A Páscoa se aproxima e com ela traz a sensação que o clarear de um dia
transmite, após uma noite sem estrelas.
"É Páscoa...Não quero escrever sem sentir, mas, sim, sentir enquanto escrevo...
Hoje,
mais do que antes, minha fé na existência de "Algo" ou de "Alguém"
cuja energia transcende o ser humano é forte e presente.
Páscoa é festa, é ritual de passagem que celebra a vida, a vitória
da fé e a conquista da liberdade. Mas, antes da alegria,
coexistiram a dor e a perda... Antes da fé, foi necessário sentir-se
perdido em dúvidas e medos...Antes do reviver e da liberdade, foi
necessário morrer e sentir-se aprisionado.
Nesta Páscoa, em especial, lembro dos apóstolos, aqueles humildes
seguidores de Cristo, que se acovardaram perante a prisão e morte do
Mestre, apavorados perante a possibilidade de terem o mesmo destino.
Eles, espalhados e foragidos, depois, se encheriam de coragem e
retornariam repletos de força e energia a Jerusalém, como
verdadeiros arautos da ressurreição de Jesus, independente do que
lhes poderia acontecer.
Aqueles homens vivenciaram a morte da alma, através da perda, da
descrença, do medo e do remorso, mas, ao resgatarem sua fé, voltaram
à vida.
A Páscoa continua a ser um convite a cada um de nós, humanos como os
apóstolos, para lutarmos pelos nossos ideais e valores, para sairmos
do esconderijo do medo, da descrença e renascer para uma vida de fé.
A escolha será sempre nossa, nada deve ser imposto. Não há lugar
para o "tem de", mas para o querer de cada um.
É hora de viver a Páscoa, de reconhecer que os ciclos inevitáveis da
vida sempre contêm finalizações, que não adianta querer paralisar o
tempo e, por isso, deixar a infância morrer para que a adolescência
nasça, e, depois, deixá-la igualmente partir e acolher a maturidade
da meia-idade.
É hora de viver a Páscoa e de lidar, talvez, com a morte de algum
relacionamento ou de algum sentimento que mudou com o passar do
tempo, lembrando que os términos e fechamentos são tão importantes
quanto os começos e, assim, devem ser vividos e reconhecidos.
É tempo de renascer e, para isso, é preciso abraçar a noite que
precede o dia, aceitar nossas limitações e as daqueles que nos rodeiam,
perdoar a nós mesmos e aos outros, aprender a lidar melhor com as
decepções, os dias cinzentos, as faltas e a incompletude da vida.
É tempo de renascer, mas, para isso, preciso reavaliar o que espero
da vida e das pessoas, preciso ter coragem de me dasapegar , de
aceitar que certas coisas em minha vida precisam terminar e que o
passado não retornará.
Elisabeth Salgado