A questão é: como posso me envolver realmente com alguém, numa relação, se ainda estou "preso(a)" ao passado e a lembranças de outra pessoa?

                  Percebo como é freqüente que homens e mulheres, ao terminar um relacionamento,  e para evitar o sentimento de solidão, se envolvam com outra pessoa, constatando,  logo em seguida, o fracasso desta tentativa.

                   Muitas vezes não sabem o porquê e se sentem perdidos e frustrados, como se o mundo conspirasse contra. A verdade é que se esquecem que não limparam o porão do coração. Todos os aposentos estão repletos de antigas lembranças, comumente ainda muito vivas, que perambulam como fantasmas rebeldes.

                    É preciso se dar um tempo só, esvaziar os cantos, abrir um espaço para o novo e não para repetições.

                    É preciso curar feridas, refazer objetivos, se apossar de sua própria vida antes de voltar a dividi-la com  alguém novamente.

                    É preciso repensar o que foi feito de errado, assumindo sua própria parte, para que algo novo e melhor aconteça.

                    É preciso desistir da raiva, das vinganças e da esperança de que haja uma volta.

                         É preciso arrumar a casa, pois quando há uma separação nada ficou no lugar...

                                          Elisabeth Salgado