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     Este artigo nasceu, principalmente, por ter acompanhado, de perto, um processo de indenização,  movido pelos pais de um ex-aluno contra uma escola conceituada, sob alegação de negligência da mesma, ao tratar de episódios de sexualidade entre o filho e um colega mais velho.

       Resolvi compartilhar o que observei, com a intenção de alertar professores e equipe dirigente das escolas para o fato de como é prejudicial lidar com o tema sexual, ainda hoje, como um tabu, como um assunto que exige segredo e que não se deve abordar ou trabalhar com nossos alunos e suas famílias.

        Vivenciamos em uma época de extremos chamados e "shows" sexuais, época em que a erotização invade a casa por todos os meios de comunicação, época onde as famílias lutam para se manter coesas e funcionais, uma época em que crianças sofrem abusos de diversas categorias, uma época em que  mal dialogam em casa e, muito menos, sobre assuntos temidos como o sexo.

         Como, então, enquanto educadores, podemos nos abster de criar um espaço para que estas questões sejam abordadas?

          Ao acompanhar o desenrolar da perícia, pude sentir o quanto pais e escola se distanciaram de suas realidades e papéis originais...

           Os pais culpam a escola por não terem sido cuidadosos e a escola culpa os pais por não terem dado bons exemplos a seu filho.

            De quem é a culpa? De quem é a responsabilidade pelo acontecido? É preciso eleger um culpado! A escola deveria ter mais inspetores e evitar que as crianças conseguissem se esconder de seus olhos; a família deveria ter sabido colocar limites e ser ela mesma um modelo de sexualidade sadia; a criança não deveria ter feito o que fez...

            De quem é a CULPA?

      Penso o quão inútil é esta guerra...Penso que esta marca não teria surgido, se escola e pais se preparassem para lidar com a educação sexual desta criança, se, em lugar de culpar, tentassem assumir a responsabilidade que cabe a cada um.

            Mas, como é difícil ao ser humano entender a economia e gratificação de um trabalho preventivo, em qualquer área da vida.

            O educar, por si só, é irmão do prevenir, do preparar para o conviver e isto não deveria ser esquecido em nossas salas de estar e de aula. 

              Nossas escolas precisam educar sexualmente, mas para além dos tabus. É preciso considerar a sexualidade como algo inerente à vida e à saúde, algo que se expressa desde cedo no ser humano. Engloba o papel do homem e da mulher, o respeito por si e pelo outro, as discriminações, o crescente homossexualismo, o avanço da AIDS e a gravidez indesejada na adolescência, entre outras questões.

           Entretanto, se esses fatores denotam a necessidade cada vez maior da inclusão da temática sexual no currículo escolar, professores, coordenadores, orientadores e família se sentem despreparados para abordar o assunto.

          No fundo, o grande vilão é o sentimento de medo de que todos são portadores...

          Mas, o medo cresce e paralisa se não aprendemos a lidar com ele.

          Espero que cada vez mais a Escola se conscientize da sua importância como orientadora e invista em educadores preparados para esclarecer as dúvidas dos alunos e de seus pais, lidando, inclusive, com questões como preconceito no que diz respeito à preferência sexual.

           Espero que os professores percebam como sua atuação é importante ao lidar com esta temática, entendendo que as manifestações da sexualidade infantil são prazerosas e fazem parte do desenvolvimento de todo ser humano, ao mesmo tempo em que ele deve processar normas de comportamento próprias do convívio social.