O envelhecer deve ser visto como um
processo contínuo de crescimento intelectual, emocional e psicológico.
Deve ser o momento em que, ao se olhar o que foi vivido, nos permitamos
sentir alegria pelo que foi conseguido, apesar de serem reconhecidos
alguns fracassos e erros.
A velhice começa por volta dos 65 anos e se caracteriza por um declínio
gradativo do funcionamento de todos os sistemas corporais. Entretanto, ao
contrário do que muitos acreditam, a maioria das pessoas da terceira
idade conservam um nível importante de suas capacidades cognitivas e
psíquicas.
Embora em qualquer idade seja possível morrer, a velhice concentra um
acúmulo de perdas. São amigos, familiares e colegas que se vão, além
de ser necessário superar mudanças em vários setores como no
trabalho e na saúde. Torna-se importante elaborar a proximidade da
própria morte, pois quem não pode aceitar sua finitude ou se sente
frustrado com o curso que sua vida tomou, será invadido pelo desespero de
perceber que o tempo é muito breve para recomeçar uma nova vida.
Saber envelhecer não é fácil, principalmente numa sociedade que cultiva
o novo, as cirurgias plásticas, o poder e a produtividade. Saber
envelhecer é um aprendizado contínuo, é aceitar as novas limitações
que o tempo traz, é não encarar a aposentadoria como um vazio, mas
aprender a usar e desfrutar desse momento livre para buscar momentos
de prazer. É renunciar a uma antiga posição de autoridade e aceitar que
um estilo de vida produtiva se fecha para que outro tipo de vida apareça.
Quem se recusa a aceitar as mudanças que essa fase da vida traz, pode
viver em um constante estresse e pessimismo perante a perda de
prestígio e do poder aquisitivo, além de ter uma reduzida auto-estima.
Um envelhecer repleto de sentido é aquele momento no qual predominam uma
atitude contemplativa, sem ser estática, e reflexiva. É o momento em que
a pessoa se reconcilia com seus fracassos, erros e defeitos, aceitando a
si mesmo e aprendendo a desfrutar dos prazeres que essa etapa possibilita.