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Recebi, há pouco tempo, um e-mail que me sugeria escrever sobre “como
retirar as pedras de nossos caminhos” e aqui vai o que penso sobre este
tema, embora talvez não seja do agrado de quem me escreveu....
Pessoalmente, não acredito que possamos retirar pedras de caminhos, elas
fazem parte da natureza, tal como os obstáculos e dificuldades são
inerentes às estradas da vida.
Vou usar a metáfora das pedras mais um pouco para expressar o que penso
e sinto.
O que nos incomoda não são as pedras em si, não é tanto a sua presença
durante o percurso, mas acho que é o receio que temos de não podermos
evitar a dor de um tropeço, o incômodo de sua dureza, a seqüela de uma
topada e, em alguns casos, a frustração ou o ressentimento por não
termos visto as pedras antes do encontro e, assim, sermos cuidadosos,
desviando-as, passando por cima ou afastando-as, quem sabe...
As pedras existem porque fazem parte da natureza da vida e, como nada é
por acaso, elas lá estão por algum motivo, bem próprias e particulares à
história de cada um.
O paradoxo da vida parece querer dizer que para ”retirarmos” as pedras,
antes de tudo, é necessário que as encontremos, que as reconheçamos, que
as aceitemos e façamos escolhas de como lidar com elas e as lições que
nos transmitem.
Se a “pedra da solidão” , por exemplo, faz parte de meu
caminho, ela irá aparecer tantas vezes quanto for necessário, até que eu
aprenda a me relacionar melhor. Se for a “pedra do medo de sofrer”
que surgir na estrada, ela reaparecerá até que eu aprenda a lidar com
meus medos, não me deixando mais paralisar por eles, assim como, se for
a “pedra da amargura e da raiva” que venha a surgir, ela
lá ficará até que eu aprenda a perdoar.
O perigo é quando não as queremos ver, principalmente ao nos
relacionarmos com os demais. Como disse no artigo
“Pedras na
Relação”, o acúmulo de pedras pode gerar um muro
de separação em minha vida, em lugar de expandir a estrada.
Sendo assim, olhar atentamente para o que aparece no caminho, sem fugas
e medos, é começar a aprender a lidar com as pedras e, quem sabe,
usá-las para a construção de pontes que nos unam, em lugar de erguermos
muros...
Elisabeth Salgado
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