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Uma fator que gera momentos de angústia e ansiedade à vida é, sem dúvida, o desrespeito às nossas limitações. Vivemos em uma época competitiva de super-heróis, de mulheres maravilhas, de indivíduos que precisam ser muito bons no que fazem para poder vencer, de homens e mulheres que precisam se superar constantemente.
Entretanto, ao lado desse contexto social, atuam elementos de nossa
história pessoal que muitas vezes minam nossa paz e equilíbrio, gerando situações
de conflito.
É o caso daquele indivíduo que nunca se sentiu valorizado pelos pais ou que foi educado sob rígidas cobranças. Quando adulto, continuará se exigindo demais e nunca se sentirá satisfeito ou realizado, por que o que faz não é por si mesmo e, sim, para obter o reconhecimento de outros. Filhos de pais de sucesso também podem ter dificuldade em reconhecer seus limites. Sentindo-se distantes da figura parental vitoriosa profissionalmente, por exemplo, deixam de confiar em seus potenciais e passam a vida se comparando a outros ou se sentindo inferiores a eles, numa constante exigência e insatisfação. Desrespeitamos nossos limites, também, quando não aceitamos que mais cedo ou mais tarde nos defrontamos com obstáculos que não serão superados. O gosto da derrota e a desistência de objetivos se tornam apavorantes e inaceitáveis. Reconhecendo seus limites e aceitando as perdas inevitáveis, é que o ser humano poderá elaborar novos caminhos e reconstruir seus sonhos. Aceitando que não pode ter controle sobre tudo e sobre todos, que seu desejo é limitado pelo desejo dos outros, é que o homem conseguirá possuir a si mesmo e realizar mudanças para uma vida mais feliz. Reconhecer seus limites não é adotar uma atitude de fácil desistência perante as dificuldades. É saber aceitar o que não pode ser mudado, é saber desistir em nome de uma existência flexível e saudável, é aceitar a inconstância da vida e de que não venceremos sempre. Uma meta é um sonho com data marcada. A cada novo dia, esperamos o impossível, mas é importante aceitar que só faremos o possível. Elisabeth Salgado
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