Como gestalt-terapeuta, acredito que para entendermos a nós mesmos é muito importante que aprendamos a escutar a vida dentro de nós, a acolher nossos sentimentos e a vê-los como parte integrante de nosso ser. Só quando percebermos o que somos e aceitarmos esta íntima descoberta é que, paradoxalmente, daremos lugar à mudança e ao crescimento.

E tal enfoque não exclui o sentimento da raiva que é um sentimento universal. Todo mundo já sentiu raiva um dia, a questão é como você reage quando entra em contato com esse sentimento.

A raiva é um sentimento natural à frustração e é a primeira resposta a uma perda. Depois vem a depressão, a elaboração e a organização do pensamento. Alguns entram rapidamente em depressão e em processo de tortura e sofrimento, o que só piora a situação.

As explosões não acontecem por acaso. Pessoas em situações de estresse já estão frustradas. Qualquer outro fato contrário soa como uma agressão e é fácil perder a paciência. Sendo assim, é importante que estas pessoas trabalhem a frustração e tentem redimensionar as perdas, aceitando-as como inerentes ao processo da existência. O ideal é lembrar que tudo tem dois lados, tentando entender o que aquela perda significa e o que se pode  aprender com a experiência.

Psicólogos de uma universidade de Campinas, em São Paulo, decidiram realizar uma pesquisa para investigar por que temos raiva. Como parte do resultado, foi visto que as explosões de raiva fazem mal, principalmente, para quem tem problema de pressão alta.

O primeiro passo da pesquisa foi espalhar nos postos de saúde da região cartazes convocando hipertensos que têm dificuldade de controlar seus sentimentos.

O trabalho envolveu 40 voluntários com pressão alta porque, segundo os médicos, eles são os que mais sofrem com os ataques de raiva.

Quando a pessoa se descontrola, o sistema nervoso central ativa as glândulas supra-renais que produzem mais de 30 hormônios. São eles que deixam o corpo em alerta e fazem a pressão subir.

Normalmente, o ataque de raiva começa com uma irritação diante de alguma situação desagradável. O coração acelera, as mãos começam a suar, os músculos ficam tensos e aí vem a explosão. Se isso acontecer com muita freqüência, a pessoa pode desenvolver problemas de saúde.

No corpo, um dos primeiros sinais é a dificuldade respiratória. Quando a pessoa não respira adequadamente, não oxigena as células cerebrais, o que estimula a tomada de decisões erradas.

A pressão arterial sobe e a pessoa pode ter problemas estomacais, como gastrite e até mesmo úlcera. 

Sob um enfoque psicológico, a raiva comumente gera ataques de pânico, crises de ansiedade, depressão, desânimo e mágoa. É comum que o sentimento de raiva e suas manifestações tenham sido desencadeados, quando a pessoa se sente injustiçada, menosprezada e desrespeitada.

A raiva está no nosso dia-a-dia. O importante é saber conviver com ela,  "dando-lhe voz" para que expresse o que não queremos aceitar , o que não aceitamos perder e se estamos onde e com quem realmente desejamos estar. De nada resolverá sufocá-la, negá-la, aprisioná-la tal qual uma fera enjaulada, pois, mais cedo ou mais tarde, ela surgirá de uma forma desajeitada e prejudicial para nós mesmos e para o outro.

Elisabeth Salgado