Quando pensei nesta metáfora, lembrei os meus tempos de sala-de aula, tanto à frente  de uma turma como sentada em alguma carteira...

          Para mim, realmente considero o professor um maestro que cresce em seu papel, quando rege harmoniosamente sua orquestra de alunos, quando consegue que seus olhos de aprendizes o sigam e confiem em suas palavras.

          Reger uma orquestra de diferentes instrumentos, sincronizar os diferentes sons e ritmos, para que nasça a música como um todo mágico, é algo de mestre!

         Mas, quantos ensaios são necessários? Quantas correções entre compassos e descompassos, entre afinações e desafinos?

         Assim é o percurso do magistério para mim.

         A sala-de-aula é um espaço todo especial, onde os mais diferentes alunos se encontram com seus mestres, um lugar onde as mais diversas fantasias, sentimentos e histórias se relacionam, ora de forma harmônica, ora conflituosa, para executar a música da aprendizagem.

        A sala-de-aula não é apenas o espaço de ensino-aprendizagem. É um lugar onde a vida existe e, portanto não pode ser reduzido a uma mera aula fornecida a um mero grupo de alunos, em um mero dia do mês, numa mera escola.

        As palavras ditas pelo mestre são como notas, isoladas têm um sentido, mas só juntas numa pauta, num contexto, passam uma mensagem. É necessário querer ouvi-las e se fazer ouvir. E, para tal, é necessário que o professor fique sempre atento a "como" rege sua orquestra.

        Como maestro ele é o que direciona, o que fornece limites, mas deve ser aquele que, antes de tudo, acredita que, independente dos instrumentos diferentes de cada um, todos poderão produzir música.

        Como maestro, ele deve lembrar que a persistência, a compreensão e o respeito pela bagagem pessoal de cada um precisam fazer parte de sua "batuta".

        Como maestro, ele é antes um músico, alguém que pode aprender, ensinando.

        Como maestro, ele precisará de paciência para lidar com a desordem de notas erradas, ritmos desencontrados e a presença de conflitos, para que a música surja, com o perfil e as características daquele grupo, nunca igual, sempre única.

                                                Elisabeth Salgado