Sala -de
-aula, o quadro, o giz e as lembranças dos rostos e mentes
que por ali passam e passaram...Educar
sem dor,
educar pelo prazer de transmitir o que aprendeu, educar
sem dor,
educar pelo prazer de estar com quem vai crescer e escolher
seu destino...
Será
utopia, será fantasia, gostar de ensinar e de aprender? Será
devaneio, nos dias de hoje, querer repartir conhecimentos e,
assim, de certa forma, alcançar a imortalidade?
Será
que nossa tarefa de nada mais vale perante o saber do
computador, será que nossos jovens não querem mais receber
valores e a ética da vida, porque a esperteza e o poder
estão nas ruas, estão nas esquinas sombrias?
Hoje,
pais e filhos se desencontram e reclamam que a escola não os
ajuda neste reencontrar. Hoje, pais e mestres dificilmente
se aliam e, assim, fazem nascer mais um conflito em um mundo
tão conflitante...
O que
fazer para educar
sem
dor?
Que novos caminhos devemos seguir, porque somos mestres e os
mestres andam e procuram sempre.
O que
fazer para educar
sem dor?
Que novo olhar devemos ter, porque somos mestres e a
cegueira não pode ser nossa companheira, a missão falharia
sem o saber, sem o desejo de conhecer.
Em um
mundo repleto de questionamentos, talvez só nos reste,
educadores que somos, aprender de novo o que é ensinar,
sendo autênticos perante os mistérios desta era, tentando
conhecer este aluno novo, que não recebe incentivo da vida
para ser, apenas para ter.
Ser
educa-dor
é, talvez, ser útil de um novo jeito, é estar preparado para
responder, antes da informação, qualquer pergunta que ensine
crianças e jovens a serem mais humanos, pois de nada vale o
saber se eu não aprender como usá-lo para o bem.
Ser
educa-dor,
hoje, talvez seja abandonar o plano de aula, se a realidade
do sentimento estiver latente nas carteiras, é cuidar
primeiro, é dar espaço, é ouvir para depois ensinar.
De
repente, não é mais possível
educar
sem dor,
sem ter que lidar com muitos obstáculos, mas é esta a nossa
missão e ela já mora ao lado da coragem há muito tempo.
Sempre foi assim o nosso caminhar...
De
repente, está faltando uma aliança com o afeto, com a
cumplicidade, com a troca e com a fé. E, neste momento, só o
homem é capaz de interagir, superando a máquina, o livro e a
corrupção.
Hoje, o
papel do mestre é muito mais importante que antes. A sua
presença é ainda mais necessária, porque "eles", crianças e
jovens, nos chegam já descrentes da humanidade e de seus
próprios direitos de viver com dignidade...
Sala
-de -aula, o quadro, o giz e as lembranças dos rostos e
mentes que por ali passam e passaram. A estrada ficou mais
difícil e mais do que nunca o educador é um eterno aprendiz!
Elisabeth Salgado.