Nascemos, crescemos, aprendemos e morremos em relação.

         Entretanto, nosso caminho relacional pode ser facilmente contaminado por "pedras" que, se não retiradas ou evitadas, darão origem a "muros" de separação e à falta de um contato real e saudável com os demais.

         Mas, que "pedras" são estas que impedem uma existência integrada entre os seres humanos?

         Dentre elas, estão a competição, a necessidade de controle, a busca de perfeição e uma visão imatura da vida.

         A competição, tão presente nos dias atuais, como condição de progresso social, impede que as relações se humanizem e se aprofundem. Tende-se, muitas vezes, a perceber o outro como um adversário, como uma ameaça a que alcancemos nossos objetivos, como alguém que pode aparecer mais e nos ofuscar perante os outros e tal fato torna-se intolerável numa sociedade narcisista que cultiva "o ser melhor".

         Tudo se agrava, se a pessoa, quando em sua fase de formação junto à família, recebeu e incorporou conceitos que exaltavam a necessidade de ser melhor que o outro para ser amado e reconhecido pelos pais.

         Tudo se agrava, se o que aprendeu é que "deveria" ganhar sempre e nunca perder, para ser valorizado.

            A necessidade de controle é "pedra-irmã"da competição. Nada pode escapar aos olhos e ao nosso conhecimento. A vida e as pessoas "têm" que se mostrar previsíveis e nada que fuja a planejamentos e organizações pessoais é aceito por quem "tem de" ter o controle da relação.

          Como eterno "vigia da existência", o controlador não pode perder nada, teme ser passado para trás por qualquer um, não confia e vive um estresse constante, pois não sabe lidar com a inconstância da vida.

           A busca de perfeição é uma "pedra" que nem sempre é facilmente reconhecida dentro da relação. Aliada às anteriores, ela se mostra mais clara. Entretanto, por vezes, é confundida com a necessidade legítima de todo ser humano de auto-realização.

          Quando se persegue a perfeição, na realidade, o que comanda nossas atitudes não é o desenvolver de um potencial inato, nem o esperar do que é possível. É, sim, uma busca de realizar fantasias de como o mundo e as pessoas "deveriam ser", em lugar de vê-los e aceitá-los como realmente são.

           O perfeccionista se cobra exageradamente e também aos demais. Sua vida é repleta de expectativas idealizadas. Quer ser elefante, quando é roseira, e jamais se sente satisfeito com o que consegue.

           Seu caráter foi moldado sobre conceitos rígidos e ele só sabe viver tendo como base uma série de "deverias" ou de idéias pré-concebidas.

           Uma visão imatura da vida é o solo onde se alojam todas as pedras. Ela é feita de fantasias, do medo de viver e de conviver, da falsa crença de que o outro suprirá nossas carências e que "deverá" ser nosso apoio. Ela é feita de "máscaras" com que se encenam falsos papéis e afetos, e da intolerância perante os "nãos" que a vida nos dá.

                                                Elisabeth Salgado.