Pais separados se deparam, muitas vezes, com receios e inseguranças perante seu papel de educadores.
Com a divisão da família, vão precisar se reorganizar em sua nova dinâmica de vida e enfrentar, eles mesmos, uma realidade diferente, onde não existe mais o mito da família perfeita tão desejada no passado.
A primeira coisa a fazer é se libertar de qualquer sentimento de culpa pelo fato de não estarem mais vivendo juntos. A culpa vai enfraquecer a relação pai e filho, contaminando o necessário bom senso para orientar e educar.
Quando um casal com filhos se separa, não é possível banir totalmente a figura do ex-cônjuge, pois ele será sempre o pai ou a mãe de seu(s) filho(s).
É importante aceitar tal fato e aprender a conviver com as "notícias" que as crianças trazem, com o prazer que sentem por estar com o(a) "ex", sem alimentar sentimentos de insegurança e ciúme, ao saber que gostaram do novo namorado da mamãe, por exemplo.
Embora a separação dos pais com certeza mobilize os filhos, não é ela em si que causa os maiores estragos emocionais.
Acredito que o espírito de competição pelo amor dos filhos, bem como fazê-los de "ponte" para um leva e traz de reclamações, mantendo um clima conflitante e sem respeito mútuo são comportamentos paternos geradores de muita insegurança e frustração para as crianças.
Na realidade, os filhos lidarão bem com a separação dos pais, se perceberem que ambos são felizes e capazes de reconstruir suas vidas para melhor.
Por outro lado, pais separados precisam fazer acordos quanto à maneira de educar seus filhos, quanto à transmissão de valores, tipos de punições ou castigos, premiações e participação no dia-a-dia da criança.
Deste modo, os filhos irão sentir que as figuras parentais continuam atuantes e presentes em suas vidas, embora não estejam mais juntas, na mesma casa.
Elisabeth Salgado