Alguns e-mails que recebi foram verdadeiros estímulos para que este artigo nascesse. Professores e pedagogos disseram estar sentindo falta de meus textos que os ajudam nas reflexões da área educacional.

Entretanto, confesso que vivo um momento de muitos questionamentos e são eles que irei compartilhar aqui.

As escolas abrem novamente suas portas, enquanto os jovens recomeçam a abrir seus livros... Mas, como abrir corações? Como abrir as mentes para o que vem acontecendo?

Não adianta mais negar que a vida mudou assim como as relações humanas. Não há mais lugar para uma escola que prioriza os conhecimentos teóricos, a disciplina e o passar para o vestibular. Que me desculpem os professores e pais conservadores e, talvez, acomodados e temerosos em lidar com a nova era e com a necessidade urgente de encontrar novos caminhos para a educação!

Hoje, em que crianças são barbaramente assassinadas, em que a insegurança marca o coexistir, em que a sociedade do pó e do álcool domina as ruas e, muitas vezes, as próprias salas das casas; hoje, não há mais lugar para priorizar qualquer outra coisa que não seja ensinar valores morais e o respeito ao humano.

O que dizer aos nossos jovens sobre a impunidade, sobre a fragilidade e o medo das ruas, sobre o aquecimento da terra e o congelar do sentimento de humanidade?

Nossos jovens correm o risco de perderem seu dom mais precioso: a esperança! Esperança em si mesmos, em seus pais, no próprio aprender pedagógico e no futuro.

O que dizer aos nossos jovens, neste momento de retorno? O mesmo que foi dito aos seus pais e avós? E, como dizê-lo para que realmente acreditem que vale a pena ser honesto, ser fraterno, preservar a paz e o respeito pela vida?

O que dizer aos nossos jovens para que não percam a fé?

Este é o tema que move e remove meus pensamentos, me fazendo acreditar ainda num caminho que jamais deveria ser negligenciado e esquecido por nós educadores e profissionais da área da saúde: unir forças!

Família e Escola precisam se unir, construir pontes em lugar de muros, largar o cabo-de-guerra sobre quem está certo ou errado, divergir para que eles cresçam em paz e com saúde, mas não duelarem num jogo de culpa mútua.

Escola e Família podem ser fortes neste tão necessário resgate de valores morais, mas não separadas ou apenas se encontrando para que sejam discutidos conteúdos, notas , uniforme, cadernetas, provas, segundas-chamadas ou finanças!

Escola e Família precisam se aliar, antes que seja tarde. Assim como o pai e a mãe podem pensar diferente, mas não devem nunca desautorizar o outro na frente de seu filho, pais e professores devem aprender a dialogar e a aceitar, de uma vez por todas, que ambos dependem um do outro.

Seja o que for que dissermos aos nossos jovens, as palavras devem ser destinadas a abrirem seus corações a ensinamentos que devem ser coerentes com nossas ações, antes de servirem para abrir livros.

                              Elisabeth Salgado.