Em artigo anterior,
O mestre e a Escola, propus
questionamentos relacionados a como você,
professor, se sente dentro da instituição onde
trabalha.
Agora, é o momento de refletir sobre como você
ensina e como se relaciona com seus alunos.
Hoje, defende-se a idéia de que o desempenho que
a sociedade espera do
novo professor é que ele seja um
animador, que desperte entusiasmo por aprender
em seus alunos e que contribua para promover o
desenvolvimento das potencialidades de seus
alunos como elemento de auto-realização.
Sendo assim, antes de ser professor desta ou
daquela disciplina, o compromisso do novo
professor é conduzir a aprendizagem de modo que
o aluno desenvolva sua inteligência e sua
criatividade para melhor qualidade de
vida.
O que você acha disso? Você tem procurado inovar
e criar novas estratégias para um novo tempo ou
não? Qual é o seu grau de motivação ao entrar em
sala-de-aula? Você acredita verdadeiramente no
que ensina?
Como você deve saber, a idéia antiga de que "a
educação prepara para a vida"
é substituída por "a
educação é vida" e a escola deve
ser vista hoje como um laboratório e não um
auditório.
A principal finalidade da educação visa, em
nossos dias, desenvolver as capacidades das
pessoas em situação de aprendizagem como
elemento de auto-realização e, não, "transmitir"
conhecimentos.
No enfoque atual, o professor não é aquele
"que
transmite as regras que o aluno deve seguir"
e, sim, o que contribui para
desenvolver-lhe as capacidades. O
professor não deve ser, necessariamente, um
erudito, "aquele
que sabe tudo", encarregado de "moldar
a inteligência" e "encher
a cabeça" da pessoa de conhecimentos
dos quais ela, um dia, talvez "poderá
vir a precisar".
Saber ensinar é visto como saber criar as
condições para que os alunos aprendam.
Se a gente acredita que a inteligência se
constrói pela ação e não é apenas um
mero dom que o aluno possui ou não, o
professor deve ser
um estimulador de interesses,
um
despertador de curiosidade, um evocador de
necessidades intelectuais.
Ele deve ser um colaborador no sentido de ajudar
a pessoa a adquirir conhecimentos por si mesma.
Como você se vê atuando dentro desta nova
perspectiva? Você está conseguindo? Caso
contrário, o que o impede? Dificuldades
institucionais? Pedagógicas? Vocação?
Disciplina? Motivação? Acomodação? Descrédito?
Hoje, o que se defende pedagogicamente é que o
mestre antes de ser o dono do saber deve agir
como facilitador e o entusiasmo e
não a erudição deve ser a qualidade básica do
professor.
Uma coisa é certa, não há como negar:
a escola tradicional está morrendo.
Deste modo, também tende a morrer o “mestre”,
que baseava seu estilo nos pilares que mantinham
de pé aquele tipo de escola, ou seja, aquele
professor que usava como suporte às suas aulas o
constrangimento (castigo e recompensa); aulas
passivas com ênfase no saber do momento, em
detrimento da mobilização das capacidades como
elemento de auto-realização; a crença no fato de
que preparava o aluno para a vida (embora o
aluno já estivesse vivendo), obrigando-o a
aprender muitos conhecimentos, na mera suposição
de que um dia ele poderia precisar deles; a
crença de que inteligência e criatividade não se
aprendiam.
Como você se percebe dentro deste enfoque? Já
tem realizado mudanças ou as rejeita? Quer
mudar, mas não sabe como? O que faz para se
familiarizar e incorporar esta nova visão, na
relação com seus alunos?
Lembre-se de que:
"O pessimista queixa-se do vento, o otimista
espera que ele mude e o realista ajusta as
velas."