Seu dia se aproxima e resolvi conversar com
você sobre três assuntos: o lugar onde
trabalha,
sua atuação
profissional e
seu interior.
Mas, por que esta abordagem? Fui professora
durante trinta anos e, apesar de minhas
outras formações, esta profissão me
acompanhou há mais tempo que todas as
outras. Sempre me identificarei com a
Educação e com o Magistério.
Talvez, com você tenha sido ou esteja sendo
diferente, mas como professora, em muitos
momentos, tinha a sensação de fazer parte de
uma engrenagem que me fazia sentir como uma
peça, um simples instrumento que precisava
dar lucros e ser submissa à empresa, sem
levantar diálogos ou questionamentos, em
detrimento da pessoa que era parte
importante da profissional.
Sempre senti que, com raríssimas exceções,
não era oferecido ao corpo docente um
momento para que pudesse refletir, sentir,
requisitar e fazer algo sobre suas próprias
necessidades profissionais.
Este é o motivo que me leva a fazer este
tipo de abordagem: abrir um espaço que gere
uma conscientização sobre a vida
profissional e pessoal do professor.
Quero convidar você a pensar sobre o local
onde trabalha.
O que o leva a continuar onde está? O
salário? O ambiente? Uma questão de
acomodação, pois a aposentadoria está
chegando? É perto de casa? A filosofia da
instituição é válida para você? Ela se
preocupa em lhe oferecer oportunidades de
atualização e aprimoramento profissional?
Considerando a escola como um espaço
sócio-cultural, como você percebe o
seu local de trabalho? O que nele predomina?
Um conjunto de normas e regras que
buscam unificar e delimitar a ação dos seus
sujeitos? Ou há também interesse em validar
o cotidiano, com sua complexa trama de
relações sociais, que incluem alianças e
conflitos, e não apenas imposição de normas
e estratégias individuais ou coletivas, de
transgressão e de acordos?
Sua instituição se preocupa em atualizar e
desenvolver um processo de apropriação
constante dos espaços, das normas, das
práticas e dos saberes que dão forma à vida
escolar, considerando-o como resultante da
ação recíproca entre o sujeito e a
instituição e aceitando ser esse processo,
como tal, heterogêneo e em constante
mudança?
O que você sente quando chega à escola?
Gosta do local? Sente-se em paz, quando
estaciona seu carro ou salta da condução? O
que você recebe da instituição? Só o salário
ou também qualificação e respeito?
Se a maior parte das respostas refletiu
satisfação, sua vida profissional é saudável
e, portanto, seu trabalho ganha em qualidade
que vai afetar positivamente também sua vida
pessoal.
Mas, se não for este o caso, reflita:
Para que eu continuo a trabalhar onde não me
sinto bem? Qual é o preço que pago por
ficar? Minhas perdas são inferiores aos meus
ganhos? Como é passar a maior parte de meu
tempo trabalhando em um lugar do qual
discordo e do qual não sinto que participo
efetivamente?