Natal
em família...Como é preciso compreender
e aceitar as diferenças de cada um para
que a harmonia desta noite se
preserve...
De que adiantam a mesa farta, os
presentes e os adornos, se os interesses
se desarmonizam, se as pessoas não se
autorizam a se dar as mãos?
Este Natal me trouxe uma experiência
nova e que é difícil de lidar - não ter a
todos que amo junto a mim, nesta noite
especial.
Quando os filhos são crianças, como é
fácil guiá-los e levá-los junto! Mas,
eles crescem, se casam, agregando outras
famílias, outras cabeças, outros
corações, outras histórias...
Meu desejo é expandir a mesa, aumentar
os lugares e arrebanhar quem agora
chegou e faz parte da família que criei.
Entretanto, meu desejo é pequeno perante
os demais que, neste ano, se dividem.
Eu, com a minha mania de unir e juntar,
esqueci que é importante saber deixar ir,
em lugar de só receber.
Eu, com a minha vontade de olhar e ver a
todos que amo, esqueci que existem
outras vontades diferentes da minha, as
vontades e sentimentos de quem faz parte
de minha família, que existem outras
mesas, outras árvores, outras mães,
outras avós.
Conforme a família se expande, é
importante rever os rituais, é
importante alargar as fronteiras para
que outros modos de ver e pensar a vida
possam coexistir.
Será difícil não ver a todos, lidar com
a falta de gente muito querida, depois
de quase trinta anos juntos na noite de
Natal. Talvez, a noite não seja tão
feliz...
Mas, viver o verdadeiro Natal em família
é desistir do "cartão natalino", em que
tudo parece perfeito sem jamais poder
chegar a sê-lo.
Viver o Natal em família é também
perceber que ela é uma entidade com vida
própria e que conviver em meio a ela
será sempre um desafio à prática da
flexibilidade e da tolerância.
Elisabeth Salgado