Quem disse
que avó não tem seu parto?!
Não sei de
onde tiraram esta idéia.
A verdade
é que experimentei na pele o que é esperar
por tabela e, mais , em dose dupla: fiquei
ansiosa pelo bem-estar da filha, que ia ser
mãe pela primeira vez, e pela neta que
ameaçava chegar...
Percebi
que o fato de você ser profissional da área de
saúde e da educação, há tantos anos, de ser especialista
nisso e naquilo, não dá conta imediata do nascimento de uma avó envolvida neste momento mágico
e tão especial.
Fiquei
pensando em como tive que lutar contra
aquelas características tão conhecidas de
uma relação simbiótica, que sempre achei e
ainda acho prejudiciais: minha filha ia à
ginecologia e parecia que eu ia junto (às
vezes até fui); fazia ultrassonografia e era
como se eu é que estivesse dependendo de um
bom resultado; ela achava que tinha chegado
a hora e eu me via arrumando as coisas para
acompanhá-la.
Quando se
exercitava em seus saltos altos, andando pra
lá e pra cá, ou se abaixava,
totalmente desligada da necessidade de lidar
com um novo equilíbrio, eu me preocupava e
ficava alerta, como uma sentinela em serviço.
Que loucura este final de
gestação! Era ela ou eu que ia ter o bebê?!
O
nascimento de uma avó existe, sim! E não é
fácil. Só quem já passou por isso é que vai
entender.
Depois,
você pensa em como ajudar a jovem "mãe- filha". A gente pensa que, depois de ter tido
três filhos e de ter estudado e clinicado
tanto na área, vai ser tranqüilo. Qual nada!
Você se sente marinheira de primeira viagem
porque agora é outra época, outros hábitos e
eles, pais, é que sabem das coisas. Agora você é avó!!!
Dá vontade
de saber tudo para se sentir útil, de se
atualizar , de vasculhar a Internet, enfim
de se render ao fato de que você vai ter que
aprender tudo de novo.
Depois que
você se acalma e sente que tudo está bem, as
coisas melhoram.
Neste
momento, é que o que você viveu e
experimentou faz sentido e auxilia.
O segredo
é resgatar a paz interior e respeitar a hora
de sua filha se tornar mãe, do jeito dela,
fiel às suas próprias crenças e apenas
aprender a ficar disponível para ela, sem
intromissões não requisitadas, sem controles
desnecessários.
Nasce uma
avó, mas, antes de tudo, nasce uma nova
família que precisa experimentar esse novo
momento de seu próprio modo.
Mas, como
eu dizia, é necessário nascer, engatinhar,
cair e começar a andar neste novo papel, com
a humildade de um eterno aprendiz.