Um medo freqüente nos dias de hoje, principalmente entre os homens, é o de perderem sua liberdade, caso resolvam namorar e muito mais ainda se casarem.

Em várias situações, clientes me apresentaram a preocupação de se envolverem demais com quem estavam saindo e que, deste modo, isto fosse interpretado como um compromisso, sinônimo de perda de liberdade e paralela promessa de casamento.

Fico pensando em por que, hoje, apesar da vontade de se enamorar, é tão forte este medo de aprisionamento, quando se gosta de alguém.

Lembro de casos que atendi e do que pude perceber. Alguns fatores que geram este medo têm muito a ver com os modelos de relacionamentos das figuras parentais.

Se, ao conviver com seus pais, o jovem aprende que casamento é sinônimo de prisão, da falta de respeito pelo espaço do outro, de posse e controle, é assim que irá encarar um envolvimento mais sério, apesar de seu sentimento pela outra pessoa.

Outra situação geradora de medo e ansiedade é a do jovem que sempre foi muito cobrado e exigido pelos pais e que se viu sempre tendo que corresponder às expectativas, sem jamais satisfazê-las ou se sentir reconhecido. Ele anseia por liberdade, detesta se sentir pressionado, vive ansioso e preocupado com o futuro e, como não sabe dar respostas diferentes às novas situações, foge de relacionamentos estáveis que, para ele, são aprisionantes.

Por outro lado, há aquele caso em que o jovem mergulha na relação com toda a sua carência, aposta todas as fichas só no relacionamento, vive em função do outro, esquece seus amigos, não faz nada sem ela e, quando a recíproca não acontece, ele se frustra  e jura “namorar nunca mais!”

Sou de opinião de que tudo que é extremo se torna disfuncional.

Experiências negativas anteriores também marcam os jovens que têm medo de que tudo aconteça novamente.

Entretanto, em uma época onde predomina o “ficar” e o “estar solteiro”, o sentido do namoro parece estar mal definido e confuso, como se fosse algo arcaico e perigoso.

Hoje, o que é namorar? Antes de tudo, veja que conceito você tem.

Certa vez, li um texto do qual gostei muito e que dizia:

“Namorar não é ter obrigação para com a outra pessoa, mas respeito...

Namorar não é ficar preso ao relacionamento, mas ser fiel ao sentimento...

Namorar não é ser autoritário ou submisso, mas estar pronto a ceder...

Namorar é dar calor, carinho, dar-se em si para o outro sem abdicar de seus próprios princípios e sonhos...

Namorar é ser você mesmo e somar o outro...”

Com certeza, namoro não pode ser “grude” nem sinônimo de anulação, só se o casal ambiciona o ódio mútuo. Namoro é a união de duas pessoas que têm afinidades, que gostam muito de conversar uma com a outra, de transar uma com a outra.

 Se ambos estiverem de acordo quanto a isso, aceitarão com naturalidade que cada um tenha os próprios amigos, os próprios passatempos, suas viagens, seu trabalho, enfim, que sejam donos de uma vida individualizada e inteira, e não mutilada.

A vida a dois é como uma dança que se alterna entre estar junto e estar separado. Não é estática nem uniforme, é dinâmica e imprevisível como a vida.

Namorar é ter cuidado e ficar disponível para conhecer o outro e se fazer conhecer. É aprender a cuidar, mas isto requer amor e maturidade. Pena que, antes que o casal amadureça e chegue a esse ponto, muitos desistam por medo de se perderem. O que eles não sabem é que, mesmo “ficando” e não namorando, saber ser livre é um aprendizado pessoal que independe de você estar tendo um relacionamento com outra pessoa.

Elisabeth Salgado