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   Lembro-me de uma frase que diz, mais ou menos assim:

"Um marinheiro só sabe que é realmente bom, depois que conduziu seu barco pela tempestade."

  Este pensamento me levou a pensar sobre o valor materno. Ele transparece e se afirma, de modo indiscutível, naqueles momentos de crise, quando ser mãe se torna um estado de quase impotência, mas que continua fiel no cuidado, na fé, na luta e no amor àquele ser que dela foi gerado.

  Olho os cartazes e as propagandas com promoções especiais e rostos de felicidade que antecipam o dia das mães e penso na mãe que habita nosso universo, nosso mundo, nosso agora...

  Esta mãe "real-universal" não é aquela dos cartazes e dos cartões postais.

  A mãe dos cartões não sabe o que é vida em "preto e branco", não tem no olhar o conhecimento da perda, da saudade, da carência e do medo de que o filho não chegue à salvo em casa.

  A mãe dos postais aparece sempre envolvida pelo ideal colorido, dourado e cor-de-rosa, e pelo olhar amoroso e cheio de reconhecimento do filho presente. Ela é inocente, parece não saber o que é criar um filho sozinha, nem que falhou ao educar ou não foi compreendida ao tentar fazê-lo.

  A mãe dos cartões postais se alimenta uma vez por ano, a cada segundo domingo do mês de maio, enquanto que a outra, a mãe "real-universal", não tem um dia certo para ser lembrada ou homenageada, já que toda uma caminhada de vida testemunha seu valor.

  É para esta mãe que dedico este artigo: a mãe que perde seu filho em guerras inúteis ou por causa da fome, da droga e da "bala perdida".

  É para esta mãe que perde a paz perante a doença de um filho, doença do corpo ou da alma, e para aquela que, embora triste, se conforma com a distância que muitas vezes os separa.

  É para esta mãe "real-universal" que vão estas palavras, é para você, mãe de todos os dias, que não se perde, mesmo convivendo com tantas perdas que vão meus pensamentos...

  Com certeza, a mãe ideal ganhará presentes e flores, em seu dia instituído, mas a mãe real-universal estará, talvez,  "vendendo estas flores", mas ganhará garra e coragem para continuar sua missão!

                               Elisabeth Salgado