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Eis a palavra que
vinga, hoje, no meio
educacional:
Inclusão.
Antes de tudo, é melhor
que se defina o que
significa Inclusão
Escolar.
Uma escola pode ser considerada inclusiva,
quando não faz distinção
entre seres humanos, não
seleciona ou diferencia
com base em julgamentos
de valores como
“perfeitos e não
perfeitos”, “normais e
anormais”.
É aquela que proporciona
uma educação voltada
para todos, de forma que
qualquer aluno que dela
faça parte, independente
deste ser ou não
portador de necessidades
especiais, tenha
condição de conhecer,
aprender, viver e ser,
num ambiente livre de
preconceitos que
estimule suas
potencialidades e a
formação de uma
consciência crítica.
Inclusão
não pode significar
adequação ou
normatização, tendo em
vista um encaixar de
alunos numa maioria
considerada
“privilegiada”, mas uma
conduta que
possibilitasse o “fazer
parte”, um conviver que
respeitasse as
diferenças e não
tentasse anulá-las.
A escola inclusiva deve
ser aberta, eficiente,
democrática, solidária
e, com certeza, sua
prática traz vários
benefícios que serão
abordados em um próximo
artigo.
A escola inclusiva é
aquela, como dito
anteriormente, que se
organiza para atender
alunos não apenas ditos
“normais”, mas também os
portadores de
deficiências, a começar
por seu próprio espaço
físico e acomodações.
Salas de aula,
bibliotecas, pátio,
banheiros, corredores e
outros ambientes são
elaborados e adaptados
em função de todos os
alunos e não apenas
daqueles ditos normais.
Possui, por exemplo,
cadeiras com braços de
madeira tanto para
destros quanto para
canhotos, livros em
braile ou gravados em
fita cassete, corrimãos
com apoio de madeira ou
metal, rampas nos
diferentes acessos de
entrada e saída e assim
por diante.
Mas, o principal
pré-requisito não reside
nos recursos materiais,
já difíceis de serem
obtidos por todos os
estabelecimentos de
ensino. O principal
suporte está centrado na
filosofia da escola, na
existência de uma equipe
multidisciplinar
eficiente e no preparo e
na metodologia do corpo
docente.
E é aqui que começo a me
questionar sobre o que é
real e o que pode ser
quase utópico, mediante
a realidade de nosso
sistema educacional.
Como professora e
gestalt-terapeuta, não
posso deixar de pensar
em como é difícil ao ser
humano experenciar a
inclusão em um
relacionamento com outra
pessoa dita “normal”e
“perfeita”.
Como já é difícil
para o homem estar em
contato, ser capaz de
pular para o outro lado,
não ser só empático, mas
estar presente e
confirmar o outro,
suspendendo seus
preconceitos,
permanecendo aberto para
a fenomenologia de outro
ser, sem que haja
qualquer diferença
visível ou manifestação
de necessidades
especiais... O que dirá
quando estas estiverem
realmente presentes?
Como conseguir falar e
conversar com a alma de
outro ser e não só com a
sua cabeça?
Se realizar a
inclusão como forma de
relacionamento e de
diálogo em situações
habituais já é um grande
desafio, o que poderemos
pensar sobre “ensinar
inclusivamente”? É como
se quiséssemos colher os
frutos sem antes cuidar
da terra, escolher
cuidadosamente a
semente, respeitando as
estações e o tempo
certo.
A Inclusão Escolar
só pode ser viável
enquanto fruto e não
como terra ou arado. Ela
só poderá acontecer
realmente quando aquele
que tem a função de
plantar, ou seja, o
professor e toda a
equipe que faz parte do
funcionamento da escola,
desde a direção até o
servente, mudarem sua
atitude em relação ao
lidar com a diferença,
aceitando-a,
estabelecendo novas
formas de relação, de
afetividade, de escuta e
de compreensão,
suspendendo juízos de
valores que abarcam
pena, repulsa e
descrença.
Está nosso sistema
educacional preparado
para acolher a diferença
em suas salas de aula?
Penso no predomínio de
uma atitude
sócio-econômica
individualista, no
relacionamento
conflitante entre escola
e família, nos atritos
que marcam a comunicação
entre professor, pais e
o aluno, com tanta
dificuldade, hoje, em
gostar de aprender, bem
como de lidar com a
hierarquia e com a
colocação de limites. E
tudo isso acontece na
escola não inclusiva,
com alunos ditos
“normais”.
Como acolher o aluno com
necessidades especiais
se não se consegue lidar
saudavelmente com as
diferenças inerentes à
própria existência
humana?
A Inclusão Escolar
depende antes de tudo de
um reconhecimento
humilde por parte da
Escola e da Sociedade,
da qual aquela faz
parte, da necessidade de
se educarem a si mesmas
para lidar com a
diferença, antes de
criarem técnicas,
estratégias ou métodos.
Quando reflito sobre
a Inclusão Escolar, dois
sentimentos se apropriam
de mim: o receio de como
esta será conduzida e a
preocupação com um
equilíbrio filosófico
que lhe dê suporte.
Sou contra atitudes
extremas e radicais, por
serem elas
disfuncionais. A meta
tem que se basear num
enfoque equilibrado,
onde, de um lado, não se
alimente a segregação do
aluno com necessidades
especiais, colocando-o
em uma sala distanciada,
e de outro, não se
queira incluí-lo na
classe regular, passando
por cima de suas
características e do que
precisa em relação tanto
ao espaço físico como de
atendimento
profissional
especializado e
multidisciplinar.
Somos seres em relação e
só crescemos em relação.
Assim sendo, o
equilíbrio para mim
reside, antes de tudo,
em permitir que o aluno
portador de necessidades
especiais possa
interagir com os demais
e vice-versa, e que
ambos aprendam a lidar
com as diferenças, não
para anulá-las, mas para
poder usá-las como fonte
de contato verdadeiro e
de amadurecimento mútuo.
Elisabeth Salgado
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