Gestação até seis meses

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                                                                   Apesar de todas as mudanças pelas quais tem

 passado a mulher, a maternidade continua sendo uma forma de realização para ela, embora não seja a única. Ela traz algo de mágico e ao mesmo tempo assustador: uma vida será gerada, mas com ela virão responsabilidades, uma interrupção de hábitos e investimentos a nível profissonal e mudanças no conviver conjugal.

                A gestação envolve uma época de reflexões e de posicionamentos: aprender a cuidar, em lugar de ser cuidada, lidar com seus medos e com a falta de auto-confiança em sua capacidade de ser mãe, adiar projetos...Entretanto, a gestação, se for encarada com a devida maturidade e desejo, será uma enorme  fonte de crescimento para os pais e, em especial, para a mãe.

             Para que este período seja saudável, o fumo, o álcool e o uso de drogas devem ser evitados, bem como  a ingestão de certos medicamentos, até de um laxante ou de um  analgésico, deve estar sob orientação médica.

             Com base nisso, é muito importante que a mulher realize um bom pré-natal e que tenha seu período de gestação periodicamente acompanhado de uma assistência médica e nutricional que a orientará sobre sua alimentação, prevenção de anemias e de alterações de pressão, prática sexual, preparação para o parto e para a amamentação, entre outros itens.

              O importante é perceber e lidar com a gestação como uma fase que vai muito além da arrumação do quarto do bebê e da organização de um lindo enxoval; ela é o momento em que se preparar para acolher outro ser, tanto orgânica como emocionalmente é o principal.

               Acariciar a barriga, à medida que se expande, conversar com o feto-bebê, enquanto cresce, são comportamentos afetivos que passam uma energia muito positiva. Não se esqueça...

              

 

               Chegou a hora. Ele ou ela acaba de nascer...Parto normal, de cócoras ou cesária, realizados em casa ou no hospital, chegou o momento de acompanhar e participar do espetáculo de desenvolvimento de um bebê que segue uma seqüência predeterminada porque quem comanda esse espetáculo é o cérebro, e seu amadurecimento se dá em etapas. Leva a criança a firmar a musculatura dos olhos, depois a sustentar o pescoço, o tórax, até ficar em pé.

               Esse percurso tem a ver com a formação dos circuitos neurológicos, que é induzida pela mielina, uma substância branca e gordurosa que aos poucos recobre as células nervosas.

                 Ao nascer, o bebê nem controla a musculatura dos olhos e de todos os seus sentidos, a visão é a menos desenvolvida, por não ter sido exigida durante a gestação. No recém-nascido, seu alcance é de 20 a 30 centímetros, mais ou menos a distância entre o rosto do bebê e o da mãe na hora da amamentação.

             A criança não consegue focalizar objetos além dessa medida. As imagens são embaçadas e duplas porque as duas retinas ainda não estão unidas. O bebê é míope. Para ajudar nesse avanço, coloque móbiles coloridos sobre o berço. O olhar do bebê é atraído por objetos em movimento e de cores contrastantes, como preto e branco.

            Aos 6 meses, a visão estará quase igual à de um adulto. A audição do recém-nascido, ao contrário, é tão boa quanto a dos pais, porque começa a se desenvolver a partir do quinto mês de gestação. O feto escuta os movimentos dos órgãos maternos. A batida do coração da mãe gera ruídos que podem alcançar 95 decibéis. Tanto barulho quanto o de um helicóptero em pleno vôo. Por isso, com apenas 3 dias, o bebê reconhece a voz da mãe e, em 20, emite sons em resposta ou vira a cabeça em direção ao barulho.

           Com 1 mês, ele registra a seqüência de palavras e, com 8 semanas, será capaz de demonstrar preferência pelo idioma materno. O paladar do recém-nascido também é aguçado. "Ele tem capacidade de distinguir o salgado, azedo, amargo e doce.    

           Segundo  Rosa Resegue, pediatra da Unifesp, logo nos primeiros dias o bebê reconhece o leite materno entre o de outros seios. Nesse início, pode mamar cerca de dez vezes ao dia e dormir de 20 a 22 horas. A alimentação e o sono entram aos poucos na rotina e quando acordado, o bebê parece  assustado em seus movimentos, já que ele não os controla pois são reflexos involuntários.

 

             

                No segundo mês, um dos grandes marcos é o aparecimento do sorriso social. Ele indica que o desenvolvimento psíquico e afetivo da criança está indo bem.

                No segundo mês, já consegue levantar o queixo, sinalizando que o controle da musculatura do pescoço está avançando. Tem também o reflexo de virar o rosto de lado, se colocado de bruços quando acordado. Outros reflexos, como o de estender o corpo para trás, se for subitamente levantado e o da marcha, começam a ser inibidos, porque o domínio sobre os movimentos aumenta. A visão permite ao bebê fixar e acompanhar objetos e pessoas, voltando a cabeça para um som. Ele enxerga a mãe de outro modo. Não apenas o contorno do rosto, como era antes. Vê detalhes, o nariz, a boca, os lábios. É capaz de reconhecer o pai, os avós, a babá.

                   

            

             No terceiro mês, o bebê ganha mais sustenção de cabeça, a coluna está mais ereta, apóia-se sobre os antebraços, sossega com carícias, vê as mãos e brinca com elas, mas a boca será o principal instrumento do bebê para conhecer o mundo.

             Ela discrimina consistência, volume, texturas dos objetos, das pessoas e até das partes do corpo do bebê.

            Ele ainda não leva o pé à boca, mas as mãos são saboreadas junto com brinquedos moles que já consegue pegar.

            Os movimentos reflexos continuam a diminuir. O da marcha, por exemplo, é trocado pela tentativa voluntária de  ficar apoiado nas duas pernas quando colocado em pé.

           No final do terceiro mês, o bebê consegue erguer bem a cabeça, o tronco, esticar os braços e movimentar a cabeça à procura de objetos e sons.

           O padrão de sono muda e a criança dorme 16 horas por dia, pois o bebê precisa disso tudo de sono para não consumir calorias a mais do que as necessárias, já que o seu metabolismo trabalha muito.

           Em atividade, os movimentos do bebê avançam. Ele começa a virar o corpinho para o lado. Já tem noção de profundidade desde que nasce, mas não de perigo, que é algo a ser aprendido. Por isso, cuidado com as quedas. Do terceiro para o quarto mês aparecem os  balbucios e quando os pais conversam com os filhos, eles respondem com sons e entonação como se estivessem realmente dialogando.

             

                                                    

           No quarto mês, o bebê passa a dormir praticamente a noite inteira. Durante o dia está mais ativo. Sorri alto e bastante. A boca continua sendo o centro do conhecimento e continua levando tudo até ela.

         Ele tem bom controle ocular e segue objetos visualmente.

         Sua preensão se desenvolve e tenta pegar brinquedos suspensos, manipulando com ambas as mãos ao mesmo tempo, podendo passá-los de uma mão para outra.

          De bruços, fica cada vez mais com a cabeça firme e equilibrada. Começa a erguer o tórax.

         O quarto mês traz muitas novidades: o bebê chora quando é deixado sozinho, gosta de brincar de esconde-esconde com a mãe que tapa o rosto com as mãos, explora o corpo, pegando o pé ou os genitais.

         A linguagem avança com a percepção de sílabas e palavras. O bebê nota que os sons são acompanhados pelos movimentos da boca de quem fala.

 

 

          No quinto mês, o  principal ganho  é girar a cintura e,  deitada, a criança primeiro joga a bacia para o lado, depois as pernas e então o corpo.  Significa que o fortalecimento da musculatura atingiu a cintura.

         O bebê está perto de sentar. Já fica em pé quando é seguro pela cintura. Seus braços e pernas adquirem agilidade, apóia-se sobre eles e ergue a cabeça e os ombros. Não sossega durante o banho e parece aproveitar esse momento para praticar movimentos rítmicos, voluntários. 

           Essa agitação ajuda a organizar o cérebro, formando conexões entre as células e estabelecendo um padrão para quando ele tiver força para engatinhar.

          Do quinto para o sexto mês, as mãos sentem o corpo todo, brinca com os dedos dos pés, repete os próprios sons e os reflexos de busca e sucção diminuem. Pode, inclusive, beber em caneca, com ajuda, e presta atenção na conversa.

           

 

             No sexto mês, o bebê rola sozinho de frente para trás, começa a sentar com apoio de travesseiros e almofadas, porque tem o controle total da parte torácica e da bacia. Deixa as pernas estendidas quando deitada de bruços e rola sobre si, indicando que o amadurecimento da musculatura está chegando nas coxas.

             É uma época em que se deve ter cuidado com os tombos. 

          Por sua vez, a preensão palmar, antes reflexa, torna-se totalmente voluntária. 

          Alcança e agarra tudo, bate com os objetos para cima e para baixo, gira-os  e os olha com interesse. Os brinquedos precisam estar por perto, já que as tentativas para pegá-los estimulam o aprendizado do equilíbrio. 

         A criança interage mais com o ambiente, não gosta de ficar sozinha e sorri quando alguém conhecido vem em seu socorro, além de sorrir para sua própria imagem no espelho. Estica os braços pedindo colo. 

          O bebê pega os objetos que deseja, também chuta, se balança, se debate e bate, esfrega, arranha, se inclina de modo rítmico e repetitivo. Com isso, manda estímulos para o cérebro, que se organizam em informações para o futuro: engatinhar, ficar em pé e andar. 

           O sono já virou rotina e o  bebê dorme cerca de 14 horas, incluindo as sonecas durante o dia.

                                       Elisabeth Salgado