
Apesar
de todas as mudanças pelas quais tem
passado
a mulher, a maternidade
continua sendo uma forma de realização para ela, embora não seja
a única. Ela traz algo de mágico e ao mesmo tempo assustador: uma
vida será gerada, mas com ela virão responsabilidades, uma
interrupção de hábitos e investimentos a nível profissonal e
mudanças no conviver conjugal.
A
gestação
envolve uma época de reflexões e de posicionamentos: aprender a
cuidar, em lugar de ser cuidada, lidar com seus medos e com a falta
de auto-confiança em sua capacidade de ser mãe, adiar
projetos...Entretanto, a
gestação, se
for encarada com a devida maturidade e desejo, será uma
enorme fonte de crescimento para os pais e, em especial, para
a mãe.
Para que este período seja saudável, o fumo, o álcool e o uso de
drogas devem ser evitados, bem como a ingestão de certos
medicamentos, até de um laxante ou de um analgésico, deve
estar sob orientação médica.
Com base nisso, é muito importante que a mulher realize um bom
pré-natal e que tenha seu período de gestação
periodicamente acompanhado de uma assistência médica e nutricional
que a
orientará sobre sua alimentação, prevenção de anemias e de
alterações de pressão, prática sexual, preparação para o parto
e para a amamentação, entre outros itens.
O importante é perceber e lidar com a gestação
como uma fase que
vai muito além da arrumação do quarto do bebê e da organização
de um lindo enxoval; ela é o momento em que se preparar para
acolher outro ser, tanto orgânica como emocionalmente é o
principal.
Acariciar a barriga, à medida que se expande, conversar com o
feto-bebê, enquanto cresce, são comportamentos afetivos que passam
uma energia muito positiva. Não se esqueça...

Chegou a hora. Ele ou ela acaba de nascer...Parto normal, de
cócoras ou cesária, realizados em casa ou no hospital, chegou o
momento de acompanhar e participar do espetáculo
de desenvolvimento de um bebê que
segue
uma seqüência predeterminada porque quem comanda esse espetáculo
é o cérebro, e seu amadurecimento se dá em etapas. Leva a criança
a firmar a musculatura dos olhos, depois a sustentar o pescoço, o tórax,
até ficar em pé.
Esse percurso tem a ver com a formação dos circuitos neurológicos,
que é induzida pela mielina, uma substância branca e gordurosa que
aos poucos recobre as células nervosas.
Ao
nascer, o bebê
nem controla a musculatura dos olhos
e de
todos os seus sentidos, a visão é a menos desenvolvida, por não
ter sido exigida durante a gestação. No recém-nascido, seu
alcance é de 20 a 30 centímetros, mais ou menos a distância entre
o rosto do bebê e o da mãe na hora da amamentação.
A
criança não consegue focalizar objetos além dessa medida. As
imagens são embaçadas e duplas porque as duas retinas ainda não
estão unidas. O bebê é míope. Para ajudar nesse avanço, coloque
móbiles coloridos sobre o berço. O olhar do bebê é atraído por
objetos em movimento e de cores contrastantes, como preto e branco.
Aos
6 meses, a
visão estará quase igual à de um adulto. A audição do recém-nascido,
ao contrário, é tão boa quanto a dos pais, porque começa a se
desenvolver a partir do quinto
mês de gestação.
O feto escuta os movimentos dos órgãos maternos. A batida do coração
da mãe gera ruídos que podem alcançar 95 decibéis. Tanto barulho
quanto o de um helicóptero em pleno vôo. Por isso, com
apenas 3 dias,
o bebê
reconhece a voz da mãe e, em 20, emite sons em resposta ou vira a
cabeça em direção
ao barulho.
Com
1 mês, ele
registra a seqüência de palavras e, com 8
semanas, será
capaz de demonstrar preferência pelo idioma materno. O paladar do
recém-nascido também é aguçado. "Ele tem capacidade de
distinguir o salgado, azedo, amargo e doce.
Segundo
Rosa Resegue, pediatra da Unifesp, logo nos primeiros dias o bebê
reconhece o leite materno entre o de outros seios. Nesse início,
pode mamar cerca de dez vezes ao dia e dormir de 20 a 22 horas. A
alimentação e o sono entram aos poucos na rotina e quando
acordado, o bebê parece assustado em seus movimentos, já que
ele não os controla pois são reflexos involuntários.
No segundo mês, um
dos grandes marcos é o aparecimento do sorriso social. Ele indica
que o desenvolvimento psíquico e afetivo da criança está indo
bem.
No
segundo mês, já
consegue levantar o queixo, sinalizando que o controle da
musculatura do pescoço está avançando. Tem também o reflexo de
virar o rosto de lado, se colocado de bruços quando acordado.
Outros reflexos, como o de estender o corpo para trás, se for
subitamente levantado e o da marcha, começam a ser inibidos, porque
o domínio sobre os movimentos aumenta. A visão permite ao bebê
fixar e acompanhar objetos e pessoas, voltando
a cabeça para um som.
Ele enxerga a mãe de outro modo. Não apenas o contorno do rosto,
como era antes. Vê detalhes, o nariz, a boca, os lábios. É capaz
de reconhecer o pai, os avós, a babá.

No
terceiro mês, o
bebê ganha mais sustenção de cabeça, a
coluna está mais ereta, apóia-se
sobre os antebraços, sossega com carícias, vê as mãos e brinca
com elas, mas a boca será o
principal instrumento do bebê para conhecer o mundo.
Ela
discrimina consistência, volume, texturas dos objetos, das pessoas
e até das partes do corpo do bebê.
Ele
ainda não leva o pé à boca, mas as mãos são saboreadas junto
com brinquedos moles que já consegue pegar.
Os
movimentos reflexos continuam a diminuir. O da marcha, por exemplo,
é trocado pela tentativa voluntária de ficar apoiado nas
duas pernas quando colocado em pé.
No final do terceiro mês,
o bebê consegue erguer bem a cabeça, o tronco, esticar os braços
e movimentar a cabeça à procura de objetos e sons.
O
padrão de sono muda e a criança dorme 16 horas por dia, pois o bebê
precisa disso tudo de sono para não consumir calorias a mais do que
as necessárias, já que o seu metabolismo trabalha muito.
Em
atividade, os movimentos do bebê avançam. Ele começa a virar o
corpinho para o lado. Já tem noção de profundidade desde que
nasce, mas não de perigo, que é algo a ser aprendido. Por isso,
cuidado com as quedas. Do
terceiro para o quarto mês aparecem
os balbucios e quando os pais conversam com os filhos, eles
respondem com sons e entonação como se estivessem realmente
dialogando.


No
quarto mês, o
bebê passa a dormir praticamente a noite inteira. Durante o dia
está mais ativo. Sorri alto e bastante. A boca continua sendo o
centro do conhecimento e continua levando tudo até ela.
Ele tem
bom controle ocular e segue objetos visualmente.
Sua preensão se desenvolve e tenta
pegar brinquedos suspensos, manipulando com ambas as mãos ao mesmo
tempo, podendo passá-los de uma mão para outra.
De
bruços, fica cada vez mais com a cabeça firme e equilibrada.
Começa a erguer o tórax.
O
quarto mês traz
muitas novidades: o bebê chora quando é deixado sozinho, gosta de
brincar de esconde-esconde com a mãe que tapa o rosto com as mãos,
explora o corpo, pegando o pé ou os genitais. 
A
linguagem avança com a percepção de sílabas e palavras. O bebê
nota que os sons são acompanhados pelos movimentos da boca de quem
fala.
No quinto
mês, o
principal ganho é girar a cintura e, deitada, a
criança primeiro joga a bacia para o lado, depois as pernas e
então o corpo. Significa que o fortalecimento da musculatura
atingiu a cintura.
O bebê
está perto de sentar. Já fica em pé quando é seguro pela cintura.
Seus braços e pernas adquirem agilidade, apóia-se sobre eles e
ergue a cabeça e os ombros. Não sossega durante o banho e parece aproveitar esse momento para praticar movimentos rítmicos,
voluntários.
Essa
agitação ajuda a organizar o cérebro, formando conexões entre as
células e estabelecendo um padrão para quando ele tiver força
para engatinhar.
Do quinto para o sexto mês,
as mãos sentem o corpo todo,
brinca com os dedos dos pés, repete os próprios sons e os reflexos
de busca e sucção diminuem. Pode, inclusive, beber em caneca, com
ajuda, e presta atenção na conversa.
No sexto mês,
o bebê rola sozinho de frente para trás, começa a sentar com apoio de travesseiros e almofadas,
porque tem o controle total da parte torácica e da bacia. Deixa as
pernas estendidas quando deitada de bruços e rola sobre si, indicando que o amadurecimento da musculatura
está chegando nas coxas.
É uma época em que
se deve ter cuidado com os tombos.
Por sua vez, a preensão palmar, antes reflexa, torna-se totalmente
voluntária.
Alcança e agarra tudo, bate com os objetos para cima e para baixo,
gira-os e os olha com interesse. Os
brinquedos precisam estar por perto, já que as tentativas para pegá-los
estimulam o aprendizado do equilíbrio.
A criança interage mais com
o ambiente, não gosta de ficar sozinha e sorri quando alguém
conhecido vem em seu socorro, além de sorrir para sua própria
imagem no espelho. Estica os braços pedindo colo.
O bebê pega os
objetos que deseja, também chuta, se balança, se debate e bate,
esfrega, arranha, se inclina de modo rítmico e repetitivo. Com
isso, manda estímulos para o cérebro, que se organizam em
informações para o futuro: engatinhar, ficar em pé e andar.
O sono já virou
rotina e o bebê dorme cerca de 14 horas, incluindo as
sonecas durante o dia.
Elisabeth Salgado


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