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A PORTA, A ESTRADA E O RIACHO
Existe uma porta dentro de mim
que há anos estava trancada,
uma estrada que há muito ninguém passava
e um riacho que cada vez mais secava.
A porta se abriu,
eu caminhei na estrada e me banhei no riacho que agora está cheio de água.
Quem sabe se eu não tivesse encontrado a chave dessa porta,
se não tivesse atravessado a estrada
e me banhado no riacho,
meu coração adolescente estivesse mais contente.
Talvez se essa porta nunca tivesse se aberto
eu ficasse sempre a imaginar como se faria pra atravessar pro lado de lá.
Talvez se eu nunca encontrasse a tal estrada,
não me cansasse na caminhada.
Talvez se o riacho não se enchesse de água
eu não tivesse como me banhar
e parasse somente pra observar.
Agora não encontro mais a chave pra trancar a porta,
não sei mais na estrada qual é o caminho de volta
....e o riacho só tende a transbordar.
Não sei mais o que faço,
se atravesso de vez essa porta,
se me embrenho na estrada
ou se me afogo no riacho cheio de água.
( Silvana Duboc )
A
mente tanto pode gerar sofrimento como resoluções sublimes.
Os
conflitos acontecem, por vezes, quando precisamos escolher e não queremos
perder. Esquecemos de nossas reais potencialidades e tememos nos
arrepender perante uma decisão. Ficamos paralisados perante a
possibilidade de erro, adiando um posicionamento perante a vida ou até
dando a outra pessoa um dos maiores poderes que temos: a liberdade de
escolha. Por medo de errar, de críticas e de se arrepender, o ser
humano não arrisca e não vive, muitas vezes.
A vida é uma escolha constante e os conflitos fazem parte desse existir.
Durante nossa caminhada, encontraremos várias portas pela frente. Se
quisermos crescer, teremos que lidar com o conflito para que uma porta
seja escolhida. Antes, porém, será necessário que nos defrontemos com
antigas crenças, com os "tem que"transmitidos pelos valores
familiares e sociais, para ir em busca de nossa verdade pessoal.
"O que eu sinto e realmente quero?"Essa é uma frase que deve
estar presente, perante a busca de resolução de conflitos.
Se aceitarmos que não existe a segurança de um acerto, que os erros podem ser transformados em acertos, quando se aprende com eles, não
ficaremos presos aos "talvez", aos "se", saindo dos impasses
mais fortes e maduros.
Elisabeth Salgado
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