|
Procurando uma ilustração para esta
página, me deparei com a desta menina que percorre um caminho
repleto de polaridades e contrastes, como o é a própria
existência humana.
De um lado, o sol, o arco-íris, a árvore repleta de flores , a
fartura de água que esculpe cachoeiras e lagos. Do outro,
relâmpagos, árvores secas, galhos estéreis, solo seco e
pontilhado de pedras...
E a vida real, como ela é? Se concordamos que ela é repleta de
contrastes, de arco-íris e de tempestades, de flores e de
ausência, devemos ou não ensinar nossos alunos a lidar com ela do
jeito que é?
Devemos apenas transmitir os conceitos e informações que os livros
contam e, através de avaliações, verificar se os memorizaram ou
guardaram? Ou devemos dar-lhes instrumentos e ensiná-los a
questionar o que recebem, numa adequação à época em que vivem e
conscientização de mudanças?
Até que ponto o que lhes ensinamos os ajudam a viver melhor neste
conturbado mundo?
Até que ponto o que lhes é transmitido os permitirá
edificar e praticar valores sociais que poderão contribuir
para uma convivência humana melhor e mais saudável?
Até que ponto os instruímos e preparamos para usar de sua
inteligência, criatividade e potencial a fim de serem mais humanos
e menos máquinas informatizadas ?
Até que ponto, educar para a vida é apenas
um mero clichê, dentro da visão pedagógica, ou é uma necessidade
existencial?
A escolha é sua, professor, todas as vezes
em que entra em sala e olha seus alunos.
A escolha de criar e adequar o que sabe à realidade ou não, antes
de transmitir, é sua e dependerá sempre de como você mesmo lida
com a verdade e no que acredita.
Pessoalmente, acho que o professor que apenas se preocupa com a
transmissão de conteúdos não prepara para a vida, ele instrui
atemporalmente e não dá suporte para que o aluno possa realizar
escolhas criativas perante sua época.
Quem questiona o que o cerca, quem "mastiga"o que lhe
passam, também se arriscará a educar e a ensinar seus alunos a
pensar e a refletir sobre o mundo em que vivem e a adequar o que
aprendem à realidade.
Penso que o instruir enriquece a mente, mas o educar para a vida
alimenta a alma...
Elisabeth Salgado

|