É comum pessoas se queixarem de ter dificuldades em seus relacionamentos. Não se sentem compreendidas, aceitas ou amarguram decepções.

        Embora mais fácil, responsabilizar o outro como sendo o único a falhar, não nos ajudará. Em lugar disso, é mais produtivo descobrir como estamos nesse ou naquele relacionamento.

         Todo mundo canaliza sua energia para ter bons contatos com o meio. Se é bem sucedido, vai-se tornando auto-confiante e lidará cada vez melhor com seu ambiente, caso contrário, seu modo de fazer contato ou de se relacionar será contaminado por sentimentos desagradáveis como a raiva, confusão, futilidade, impotência , desapontamento e assim por diante.

          Quando em contato, várias funções são ativadas: o ver, o escutar, o falar, o movimentar-se, o toque, o gosto e o olfato, assim como nossos sentimentos naquele momento.

         O medo de ser infeliz, por exemplo, prejudica o contato com os demais, fazendo surgir certas atitudes de distanciamento, inércia ou desinteresse.

         Se tememos críticas ou nos sentimos inferiores, podemos desviar o olhar, evitando  nos expor, ocultando sentimentos e fugindo do que possamos perceber no outro.

         O escutar também pode se apresentar contaminado por sentimentos de insegurança, mágoa e intolerância. Escutar requer passividade e acolhimento. Se eu interrompo a fala do outro, arrisco-me tanto ao seu descontentamento quanto a uma compreensão incompleta do que me estava sendo dito.

         A pessoa que espera críticas, por exemplo, pode se habituar a ouvir só a crítica em si e nada mais, ou então só escuta aquilo que consegue aceitar como favorável, não escutando a crítica.

         Ao falar, o contato pede ser prejudicado de vários modos. Gritos, palavras agressivas, irônicas ou depreciativas, são alguns exemplos. Entretanto, fazer perguntas em lugar de afirmações ou perguntando como resposta à outra pergunta, também dificulta o contato entre as pessoas, provocando frieza e distanciamento.

          "Quando falares, cuida para que tuas palavras sejam melhores do que teu silêncio". (ditado indiano)

            Ao refletir em "como"estou me relacionando, é importante perceber se uma das seguintes situações predomina em minha maneira de estar com o outro:

           a) Aceito tudo que me é passado, sem questionar? Acho que sou o único responsável pela situação? Freqüentemente me sinto culpado?

           b) Tenho a tendência a sempre achar que o outro é o culpado ou que não me dá atenção? Comumente me sinto como vítima e impotente perante o outro e, assim, alimento rancores?

           c) Só me preocupo com meus interesses e só o meu ponto de vista é correto?

           d) Costumo falar demais, dando pouca atenção ao que a outra pessoa diz?

            e) Tenho muita dificuldade em lidar com as diferenças manifestas pelas pessoas?

            f) Percebo que é comum fazer coisas para os outros e ficar frustrado porque eles não fazem o mesmo para mim?

            Caso haja predominância de uma das situações enfocadas, certamente nossa maneira de se relacionar estará prejudicada e disfuncional, carecendo de mudanças.

             Para podermos nos relacionar saudavelmente, é necessário lembrar que não podemos mudar o outro; o que podemos mudar é a maneira de estar com o outro.

             Ao estabelecer um bom contato, precisamos reconhecer o que queremos, nossas necessidades e sentimentos, lembrando que estes não têm que coincidir com os de outras pessoas, e aprendendo a lidar com o medo da rejeição e da separação.

Elisabeth Salgado

 

                          "Encarregar-se de alguma coisa, de uma pessoa,

                                   significa ouvi-la, querê-la”.

                                                                              (Heidegger)