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Em meus atendimentos, tanto
individuais como de casais,
me deparo constantemente com
a dificuldade dolorosa e
inaceitável do ser humano em
aceitar o término de um
relacionamento que se
deteriorou.
Com o desenrolar do processo
terapêutico, entretanto, os
subterfúgios se desvanecem e o
encontro com a realidade
acontece, mais cedo ou mais
tarde.
Muitas vezes, o término se torna
inaceitável porque igualmente o
abandono de crenças, como a do
amor eterno e a da família
perfeita, também o são.
Não desistir das fantasias
românticas e encarar a realidade
faz com que se permaneça na
agonia perante querer mudar o
que não pode ser mudado, ou na
alienação que tudo aceita,
mesmo que só migalhas sejam
oferecidas.
É curioso e saudável quando ele
ou ela se dá conta de que, na
realidade, não amava mais seu
parceiro e que só insistia em
permanecer no relacionamento,
apesar das infidelidades,
rejeições e desqualificações,
porque a idéia de destruir um
sonho e desistir de uma fantasia
era insuportável e sinônimo de
fracasso.
Quantas brigas e atitudes
agressivas seriam evitadas se o
casal percebesse que a tentativa
de mudar o outro nada mais é do
que tentar agarrar-se a uma
frágil esperança de que
conseguirão permanecer juntos.
"Se ele parar de roncar, se ele
emagrecer..."
Acreditar que pode mudar o
companheiro, confundir atração e
desejo de amar com carência,
aceitar viver com parceiros
manipuladores e mentirosos,
"fingindo que nada vê", são meras
tentativas de não encarar a
realidade.
Admitir estar vivendo ou ter
vivido de ilusões não é fácil.
Muitas vezes nos sentimos
envergonhados pela nossa
ingenuidade e sem forças para
acreditar que é possível viver
de outra forma.
Neste momento, é importante que
a paz interior, o respeito por
si mesmo e a busca de uma
convivência prazerosa e
gratificante sejam valores
primordiais na vida do ser
humano.
por Elisabeth Salgado

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