Please download Java(tm).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     

      Há momentos na vida em que nos sentimos envolvidos por uma série de sentimentos diversos e contraditórios.

     Sinto que um deles é quando, ao mesmo tempo e de modo muito claro, vivenciamos perdas e ganhos importantes, quando, por exemplo, nos despedimos de pessoas queridas, levadas pelo envelhecer e, ao mesmo tempo,  acolhemos vidas novas que desabrocham sob nosso olhar de amor...

      Sou filha antiga e avó nova. Despeço-me e acolho, vivenciando o partir e o chegar que, sem intervalo, se processam através dos dias...

       Observo como comecei e como irei terminar...

       Mãe e neta vacilam no andar, uma enfraquecida pelas perdas da velhice, outra ansiosa por caminhar sozinha e poder alcançar o que vê...

        De um lado, a pele enrugada, de outro, a pele nova. Ambas fazem "birras" e se mostram carentes de afeto, mas de um modo diferente: a mãe finge que não quer, não se entrega no abraço, e a outra se joga e não esconde sua alegria no aconchego.

         De um lado, receios e descrenças deixadas por marcas de vida, de outro, a crença ainda virgem na existência.

         Isso me faz pensar em como vestimos armaduras e defesas através da vida e, aos poucos, vamos perdendo a espontaneidade, deixando de viver e de mostrar o que realmente somos e queremos...

       Minha mãe e minha neta...Tão parecidas e tão diferentes...Fontes de minha reflexão sobre a brevidade da vida, sobre como é importante valorizar o agora, já que o passado e o futuro, o nascimento e a morte são apenas os dois extremos de uma "ponte passagem" que traz em seu percurso a verdade de cada um.

         Minha mãe e minha neta...metáforas vivas de um processo eterno e constante de aprender e desaprender.

        Minha mãe e minha neta, tempos diferentes que marcam a atemporalidade da própria vida.

         Observo como comecei e como irei terminar, uma mistura de sentimentos me invadem, meus  braços têm vontade de acolher as duas, meu coração pede para que fiquem, como se fosse possível paralisar o tempo, como se fosse possível para a vida o não haver despedidas...

           Quero desaprender a me deter em lembranças boas ou más, quero desaprender a ficar imaginando o amanhã como a porta para dias melhores, quero ficar com o que tenho e posso hoje, quero viver a velha filha e a mãe nova como eu conseguir, para não perder o que realmente hoje existe!

                                              Elisabeth Salgado