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Como sempre, meus artigos nascem, em sua grande maioria, do que vivencio
e percebo em meu conviver com as pessoas, sejam elas meus clientes, pessoas
próximas ou não.
Outro dia, fiquei pensando, distanciada de um contexto poético e
romântico, sobre os motivos que levam mulheres e homens a se tornarem pais.
Recordei fatos e casos que me deram algumas respostas, ora louváveis ora
questionáveis.
Para alguns, ter um filho pode representar a chance de poder criar uma
família que seja o oposto daquela em que cresceu e, assim, achar que, através
deste filho, conseguirá obter o que sempre faltou em sua vida até o momento.
Para outros, ter um filho pode ser visto como uma maneira de
“aprisionar” a pessoa amada e de achar que, deste modo, ficarão unidos para
sempre.
Para alguns adolescentes desavisados, ter um filho pode simbolizar a
entrada no mundo dos adultos, passando a ser visto como tal, principalmente aos
olhos dos próprios pais.
Ter um filho pode ser encarado como a porta de saída da casa dos pais,
de fuga dos conflitos e crises que lá existem, através de um casamento
prematuro, provocado pela gravidez.
Ter um filho pode ser um meio de se afirmar em seu próprio papel sexual,
através da comprovada capacidade de procriação.
Ter um filho pode representar uma esperança de salvar o casamento e de
suprir um distanciamento no conviver a dois.
Ter um filho pode expressar uma necessidade consciente ou inconsciente
de ser muito amado, de fugir da solidão ou de poder concretizar ideais não
atingidos, através desta criança, no futuro.
Enfim, ter um filho pode ser resultante de muitos fatores que tornam
esta escolha um passo muito imaturo e perigoso, já que não vem acompanhada do
sólido desejo de se tornar pai ou mãe.
Ter um filho precisa ser, antes de tudo, um abraçar consciente de um
novo e árduo papel: tornar-se um cuidador e um formador de mentes e
comportamentos, valorizando o exemplo mais do que as palavras, buscando
coerência mais que cobranças, priorizando o bem do outro, mesmo que este não lhe
seja grato ou reconheça de imediato seus esforços...
Com certeza, a decisão de ter um filho vai muito além dos gastos
financeiros, do amamentar e das horas mal dormidas ou de uma mudança
significativa no dia-a- dia.
Com certeza, a decisão de ter um filho é uma escolha que gera, ou
deveria gerar, um adulto constantemente chamado a crescer junto a seu filho.
É interessante que você, pai ou mãe, se pergunte sobre quais eram as
suas expectativas reais ao decidir ter filhos. Esta reflexão talvez possa
ajudá-lo a lidar melhor com os conflitos e possíveis frustrações em seus
relacionamentos com eles. Quem sabe, você se deixou contaminar por sonhos ou os
viu mais como um meio de satisfação pessoal do que como seres que nascem
carentes, mas que devem crescer aprendendo a serem independentes de você?
Seja qual for a reposta que encontrar a esta pergunta, lembre-se que
sempre há tempo de construirmos um novo final para nossas histórias.
Elisabeth Salgado
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