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O ser humano, na grande
maioria, é carente de
criatividade e, por
isso, se sente atraído
por crenças e enfoques
que nem sempre são
realmente criativos, já
que são propostos pelo
meio e não desenvolvidos
pelo próprio indivíduo
que não se apossa de si
mesmo nem
desenvolve
seu potencial para dar
uma forma a algo novo.
Em outro artigo,
focalizei a importância
da
criatividade no
casamento e nos
relacionamentos em
geral. Na realidade,
usar de criatividade
naquele contexto é mais
fácil do que em
situações de divórcio, pois, como
foi dito, sob o ponto
de vista da Gestalt, uma
vida criativa é uma vida
que promove relações,
promove compreensão,
promove encontros e
promove união, ideais e
metas que fazem parte,
por si só, do casamento
verdadeiro.
Mas, quando se esgotam
as possibilidades de uma
vida saudável a dois?
Será que a criatividade
não pode fazer parte
também?
A fim de analisarmos a
possibilidade de fazer
uso da criatividade em
situações de divórcio,
vou me basear em um
livro
chamado Divórcio
criativo, de dois
autores
norte-americanos, Mel
Krantzler e Pat
Krantzler.
A edição brasileira traz
em sua capa duas fotos
separadas. Numa, à
direita, o rosto
sorridente de um homem
com seus 40 anos. Na
outra, à esquerda, o
rosto igualmente
sorridente de uma mulher
mais ou menos da mesma
idade. O subtítulo -
A separação sem traumas
- sugere que os dois
rostos separados, mas
felizes, são de pessoas
que souberam de
divorciar com
inteligência e
maturidade.
A proposta do livro é
levar as pessoas que já
se decidiram pelo
divórcio a “olharem para
frente”, em lugar de
ficarem repensando e
questionando a decisão
que tomaram em lugar de
cultivar um mórbido
apego ao passado. O
importante é que as
pessoas percebam se,
através de sua escolha,
estão sendo mais
autênticas e
verdadeiras.
Esse “olhar para frente”
é visto como um sinal de
criatividade e de
coragem e acho que as
duas atitudes são
comumente companheiras.
Já dizia Rollo May, em
seu livro “A coragem
para criar”:
"A coragem é necessária
para que o homem possa
ser e vir a ser.
Para que o eu seja, é
preciso afirmá-lo e
comprometer-se. Essa é a
diferença entre os seres
humanos e o resto da
natureza. A
bolota transforma-se em
carvalho por crescimento
automático; nenhum
compromisso consciente é
necessário. O filhote
transforma-se em gato
pelo instinto. Nessas
criaturas, natureza e
ser são idênticos. Mas
um homem ou uma mulher
tornam-se humanos por
vontade própria e por
seu compromisso com essa
escolha.”
O livro sobre o divórcio
criativo, portanto, não
é um livro para repensar
na atitude tomada. Isto
já deve ter sido feito.
É preciso ir em frente,
estando consciente de
que:
"Assim como em qualquer
grande mudança de vida,
o divórcio pode
propiciar uma
oportunidade de criar
uma nova e positiva meta
para o desenvolvimento
pessoal."
A intenção dos autores
do livro é motivar quem
se encontra acabrunhado
pela dor da separação a
não qualificar o
divórcio como um
fracasso e, sim,
responder ao mesmo como
um desafio para viver
uma vida melhor, no
lugar de continuar a
viver como se fosse uma
vítima, como um náufrago
de um projeto de vida a
dois.
O que deve ser feito é
aprender com o passado e
repensar muitas das
atitudes tomadas perante
o amor, no lugar de
ficar apenas repetindo o
que não funcionou até o
momento.
Criatividade é poder dar
uma forma a algo novo,
mas sabemos que a
maioria das pessoas teme
o novo, se sentem
ameaçadas e impotentes
perante ele e esta
parece ser a grande
trava que as impede de
poder encarar a
separação como algo que
pode ser positivo, se
tiverem sido esgotadas
todas as tentativas em
permanecer saudavelmente
num relacionamento.
O que muitas pessoas
desconhecem ou não
acreditam é que em todos
existe um potencial
capaz de promover um
ajustamento criativo,
basicamente necessário
em situações de perda e
de luto, como em uma
situação de divórcio.
Sob um enfoque
Gestáltico, o ser humano
é visto como estando
sempre num possível
estado de refazer-se, de
poder escolher e
organizar sua existência
criativamente,
sendo capaz de escolher
seu próprio destino,
embora existam pressões,
violências,
condicionamentos,
fatores históricos,
sociais, políticos,
econômicos e familiares
limitadores.
Em uma situação de
divórcio, atitudes e
soluções criativas se
desenvolverão, se o
mesmo tiver sido uma
conseqüência de um
impulso positivo, se a
pessoa tiver claro em
sua mente o objetivo que
deseja atingir com tal
caminho.
Sendo assim, é
importante que a
separação tenha sido
originada por uma
necessidade
real do indivíduo, que a
pessoa tenha feito essa
opção priorizando seu
bem estar e a
preservação de sua saúde
mental e psíquica,
estando bem consciente
da escolha feita.
Toda separação e
situações de perda geram
sofrimento, mas, através
de um ajustamento
criativo, a pessoa será
capaz de
tolerar as frustrações,
lidando com a nova
realidade, não
desanimando perante as
adversidades,
reconhecendo o lado
positivo e os ganhos de
sua escolha,
desenvolvendo sua
produtividade e
construindo novos meios
de obter prazer perante
a vida.
É importante lembrar
que a criatividade é
irmã da coragem de lidar
com o novo, de arriscar,
de explorar o
desconhecido, consciente
que
frequentemente vamos
errar em algum momento,
pois
tentar e errar faz parte
do processo criativo e
um dos pontos básicos
para ampliarmos nosso
potencial criativo é,
justamente, não
paralisarmos perante
nosso "medo" de errar.
Elisabeth Salgado
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