Companheirismo,
qualidade difícil de se encontrar numa época em que o individualismo
predomina. Acho que o mundo moderno desaprendeu o “estar com alguém”
e, em seu lugar, exerce uma busca de independência na relação, para
mascarar a forte necessidade de vencer a solidão...
Saber
ser companheiro de alguém é uma arte que se baseia na maturidade
conseguida. Maturidade que permite que se esteja junto, sem querer dominar
ou ter um poder sobre o outro, que nos possibilita ser diferente de
alguém e,
apesar disso, aceitar e respeitar essa diferença.
Ser companheiro é saber ouvir e saber falar, é ficar disponível sem se
anular, é compreender o que o outro sente para poder compartilhar a
vida.
Ser
companheiro é ter a coragem de abrir o coração e oferecer momentos,
para que o outro me conheça e sinta confiança em se deixar conhecer também
por mim.
Ser
companheiro é dar as mãos sem aprisionar, ser companheiro tem muito de doação
e de flexibilidade.
Como
outras coisas na vida, a dualidade aqui também se faz presente: o
companheirismo nasce e se desenvolve na relação, se alimenta dela e da crença
de que somente convivendo é que me tornarei, antes de tudo, companheiro de mim
mesmo.
Elisabeth
Salgado
|