|
|
|
Erich Fromm, em seu livro A Arte de Amar, diferencia o amor infantil do amor adulto, declarando que: "O amor infantil segue o princípio de que "amo porque sou amado". "O amor amadurecido segue o pricípio de que sou amado porque amo". "O amor imaturo diz: "eu o amo porque preciso de você"; "O amor adulto diz: "preciso de você porque o amo".
Por outro lado, não podemos chegar a esta forma adulta de amar, se não soubermos o que é amor. Não poderemos amar outra pessoa e reconhecê-la como alguém separado e diferente, se não tivermos suficiente amor por nós mesmos, um amor que aprendemos, ao sermos amados na infância. Com certeza, aqueles que não foram devidamente amados por seus pais sentirão muita dificuldade em aprender realmente a amar, mas todos podem aprender se realmente lutarem por isso. O amor infantil não sabe coexistir fora de uma harmonia de interesses. Sendo assim, "As necessidades dele (ou dela) e as minhas são uma só." O amor infantil não entende como o outro pode ser, pensar ou agir de modo diferente. Interpreta tal fato como desinteresse, pirraça, pouco caso, desamor... O amor infantil é idealizado e vive de fantasias e decepções. O amor infantil é baseado na posse, na relação de poder e controle da relação, já o amor adulto é como as ondas, se alternando em movimentos de distanciamentos e aproximações em relação à vida a dois. O amor adulto convive com a sua própria limitação e com as perdas necessárias. O amor infantil repetirá sempre o mesmo tipo de relacionamento aprendido na convivência com seus pais, irá sempre atrás do que não teve ou não viveu na infância, na esperança de que agora será diferente, mas jamais encontrará a tão almejada satisfação. O amor adulto reconhecerá as carências como suas, se perdoará e desistirá de perseguir no presente o que não obteve no passado. Elisabeth Salgado
|