A caridade é, como disse Artur da Távola, a atividade central de todas as religiões e está muito relacionada com a justiça.

Se pararmos para pensar, o próprio radical “caritas” da palavra tem a ver com “carus” que significa de alto valor, querido, caro.

Mas, a caridade não nasce na semântica nem na etimologia, ela nasce no coração humano que se abre para amar o outro, sem visar lucros ou como uma forma de acalmar a consciência perante a desconfortável visão da desigualdade social que nos rodeia.

Compartilho da idéia de que a caridade é uma relação de troca e não uma via de mão única, onde alguém é  agente de doação, oferecendo algo a outra pessoa, que apenas recebe.

A caridade é vivida no “entre” amoroso que se estabelece entre aquele que sabe receber e aquele que sabe dar sem pensar. Não há lugar certo ou definitivo entre estas duas posições, pois a caridade circula assim como a falta e a necessidade. Em um dia, podemos dar e, no outro, podemos estar precisando receber...

Compartilho da idéia de que o alvo de uma caridade mais ampla e poderosa é favorecer e dar meios para que a sociedade possa construir uma vida mais democrática, justa e saudável para si mesma, sem que um homem não tenha de viver da caridade de outro.

Porém, enquanto este conceito não é abraçado pelo social, a caridade individual se exercita e, em nossos dias, o que é pior, agoniza, pelo escasso exercício de se estar presente, como se pode, junto a quem é órfão de amor.

Como disse Chico Xavier:

"Caridade é, sobretudo, amizade.

Para o faminto - é o prato de sopa.

Para o triste - é a palavra consoladora.

Para o mau - é a paciência com que nos compete auxiliá-lo

Para o desesperado - é o auxílio do coração.

Para o ignorante - é o ensino despretensioso.

Para o ingrato - é o esquecimento.

Para o enfermo - é a visita pessoal.

Para o estudante - é o concurso no aprendizado.

Para a criança - é a proteção construtiva.

Para o velho - é o braço irmão.

Para o inimigo - é o silêncio.

Para o amigo - é o estímulo.

Para o transviado - é o entendimento.

Para o orgulhoso - é a humildade.

Para o colérico - é a calma.

Para o preguiçoso - é o trabalho.

Para o impulsivo - é a serenidade.

Para o leviano - é a tolerância.

Para o deserdado da Terra - é a expressão de carinho."

 Elisabeth Salgado