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Certa vez, li que, na
Índia, os mestres sempre
dizem que os problemas e
conflitos são como
despertadores que
tentam acordar as
pessoas para a vida.
Achei muito interessante
esta visão, se
pensarmos, por exemplo,
que a febre é sinal de
alerta e, portanto, algo
positivo para que
cuidemos de nosso corpo.
Aproveitando esta
imagem, deveríamos usar
um olhar curioso e
reflexivo, em situações
de conflito, quando
determinada dificuldade
é vivenciada, na
intenção de descobrir o
que esta dificuldade
está nos querendo
mostrar.
Situações de conflito
são avisos que a vida
nos envia para corrigir
algo que não estamos
fazendo bem. Talvez, em
especial, sabermos
assumir a
responsabilidade pelas
escolhas feitas.
Na realidade, conflitos
e doenças guardam muita
semelhança entre si.
São sinais de emergência
para que possamos
transformar nossas
vidas.
Seria muito mais
produtivo, se, nestes
momentos, em lugar de
desanimarmos, caindo em
depressão ou nos
revoltando,
fizéssemos uma pausa
para refletir sobre os
avisos que este impasse
está nos enviando.
Com certeza, ele traz em
si mesmo um chamado de
crescimento.
Alguns escutam e vão
atrás de uma resposta,
apesar das dificuldades
que surgem.
Outros ensurdecem e
procuram fora de si as
causas, mas não as
respostas. Rejeitam o
aviso e, só muito
depois, podem perceber
que a intensidade do
conflito, assim como os
sintomas na doença
física, vai se
expandindo e piorando
até que se tenha coragem
de abrir a porta que
leva à sua raiz.
Rejeitar uma escuta à
"campainha do conflito",
talvez por medo de
perder algo, faz com que
o som vá aumentando
gradativamente.
Noites de insônia, dores
de cabeça constantes,
crises alérgicas,
gastrites, gripes que se
repetem, ansiedade, tudo
sinaliza que quanto mais
se foge de lidar com o
problema, mais ele
cresce e se espalha por
todo nosso organismo.
O volume da campainha
aumenta até que "desperta-dor".
Os analgésicos apenas
distraem e permitem que
você se engane por mais
algum tempo, não
restando outra saída
senão acordar e encarar
o conflito, aceitando
possíveis perdas,
fazendo mudanças em seu
modo de viver, mas
gerando uma nova pessoa,
bem mais forte e
verdadeira.
Elisabeth Salgado
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