O fato é que as pessoas que têm este
comportamento mascaram seus próprios temores internos, tentam driblar o que as
amedronta, amedrontando alguém e ferindo o outro, por medo de serem feridos
primeiro. Tais pessoas são intimamente infelizes e tentam lançar nos demais a
sua infelicidade.
Por outro lado, pouco ou nada sentem de
responsabilidade por seus atos e, freqüentemente, desejam exercer um controle
sobre outra pessoa, com o objetivo de sempre sair ganhando. São incapazes de
compreender e de apreciar os sentimentos alheios, mas são excelentes
observadores do comportamento humano, sempre escolhendo como alvo aqueles que se
intimidam e se mostram medrosos e covardes, ou seja, aqueles que são facilmente
derrotados.
Na realidade, tais pessoas precisam tanto de
ajuda quanto as suas vítimas, sob perigo de que
venham a se tornar marginais e infratores da
lei, adultos com comportamentos anti-sociais
e/ou violentos, podendo vir a adotar, inclusive,
atitudes delinqüentes ou criminosas.
O melhor antídoto para lidar com o “bullying”
e não se tornar um alvo fácil é gostar de si mesmo, é acreditar em si próprio, é
ter uma elevada auto-imagem que abarque a aceitação de suas características
próprias, aceitando-as como prova de sua individualidade no mundo, e,
principalmente, não cultivar o papel de vítima perante os demais.
Os alvos são pessoas ou grupos que são
prejudicados ou que sofrem as conseqüências dos comportamentos de outros e que
não dispõem de recursos, status ou habilidade para reagir ou fazer cessar os
atos danosos contra si. São, geralmente, pouco sociáveis e um forte sentimento
de insegurança os impede de solicitar ajuda. São pessoas sem
esperança quanto às possibilidades de
se adequarem ao grupo.
A baixa auto-estima é agravada por
intervenções críticas ou pela indiferença dos adultos sobre seu sofrimento.
Alguns crêem ser merecedores do que lhes é imposto.
Têm poucos amigos, são passivos, quietos e não
reagem efetivamente aos atos de agressividade sofridos. Muitos passam a ter
baixo desempenho escolar, resistem ou recusam-se a ir para a escola, chegando a
simular doenças. Trocam de colégio com freqüência, ou abandonam os estudos.
Por outro lado, é importante que se
conscientize de que não está sozinho nessa situação, não sendo culpado pelo que
acontece, embora seja responsável pelo que possa vir a acontecer, se der poder a
quem o ameaça, submetendo-se por medo. É importante que relate os fatos para
outras pessoas como amigos e adultos que fazem parte de seu convívio, como seus
pais, professores, orientadores, terapeutas, pois é realmente difícil
interromper esse processo sozinho.
Determinadas atitudes são fundamentais nesta
hora, como ter coragem e não passar uma imagem de medo, pois, na realidade, este
é o grande prêmio de quem coage em um “bullying”. Deve manter a calma, não lutar
ou reagir de modo agressivo, transparecendo sua raiva, outro objetivo de um
“bully”; procurando ignorar os provocadores e indo embora, pois, assim, há um
esvaziamento do poder de quem coage. O que ele deseja ver são evidências de
quanto o outro se sente mal e incapaz e, possivelmente, agirá ainda pior na
próxima vez.
Quem é perseguido em “bullyings”, deve
procurar se filiar a grupos, clubes ou times, principalmente quando é novo em
uma escola,deve andar próximo a um amigo ou professor, durante os intervalos das
aulas ou recreio, sentar-se perto de adultos, ou seja, evitar ficar só e isolado
e lembrar-se sempre de que:
“Deve tratar os outros do modo como
gostaria de ser tratado. Deve ajudar alguém que necessita, pois quando você
precisar, alguém o fará por você, e lembrar que cada um de nós tem o direito de
ser respeitado e a responsabilidade de respeitar os demais.”
As testemunhas, representadas pela grande
maioria dos alunos, convivem com a violência e se calam em razão do temor de se
tornarem as "próximas vítimas". Apesar de não sofrerem as agressões diretamente,
muitas delas podem se sentir incomodadas com o que vêem e inseguras sobre o que
fazer. Algumas reagem negativamente diante da violação de seu direito a aprender
em um ambiente seguro, solidário e sem temores. Tudo isso pode influenciar
negativamente sobre sua capacidade de progredir acadêmica e socialmente.
É importante também ressaltar certas atitudes
a serem tomadas por aqueles que presenciam um “bullying”. Cuidado para não tomar
atitudes impulsivas, elas só irão atrapalhar!
Evite lutar, usar de ironia, ou
fazendo com que o “bully” se sinta importante e poderoso, durante o episódio.
Procure se inserir no contexto, não como simples platéia, meramente assistindo,
mas tentando fazer com que o episódio termine. Verifique se a criança perseguida
irá contar o que acontece a um adulto, caso contrário se ofereça para ir junto e
procurar com ela alguém em quem confie.
A equipe de uma escola deve ficar atenta
aos alunos novos e àqueles que permanecem sozinhos e isolados, procurando
conversar com eles, desenvolver um clima de amizade e confiança e procurando
inseri-los em atividades.
Sabe-se que
quando não há intervenções efetivas
contra o “bullying”, o ambiente escolar torna-se totalmente contaminado. Todas
as crianças, sem exceção, são afetadas negativamente, passando a experimentar
sentimentos de ansiedade e medo.
Em acréscimo às orientações comumente dadas pela
equipe docente sobre os malefícios do “bullying”,
é importante que o estabelecimento de ensino crie estratégias
adequadas à redução deste tipo de comportamento.
É fundamental que o tema seja divulgado e que se dê aos alunos a
oportunidade de falar sobre “bullying”. É importante que se faça uma pesquisa da
realidade, que se escutem opiniões a respeito e que os pais sejam informados.
A única maneira de se combater o
“bullying” é através da cooperação de todos os envolvidos: professores,
funcionários, alunos e pais.
Alguns exemplos dessas atividades e práticas
são:
·
A criação de letras de
músicas pelos alunos.
·
A elaboração de cartazes
sobre o aspecto desumano de nossa época e, em especial, do “bullying”.
·
Elaboração de atividades
que promovam debates e conscientizações sobre como lidar com este
comportamento, visando desenvolver e estabelecer lideranças positivas entre os
alunos.
·
A realização de
dramatizações que focalizassem cenas de coação e desqualificação entre alunos,
com o objetivo de posteriores plenários.
·
Apresentação de vídeos
sobre o assunto, com posterior debate entre alunos.
·
Dinâmicas de grupo
visando um compartilhar de vivências de “bullying”etc.
·
Reuniões com os
familiares para que possam participar do processo e se conscientizar de sua
responsabilidade, tanto na formação de alunos “bully” como de alunos alvos de
“bullying”.
É importante lembrar que o “bullying” é
fundamentalmente uma luta de poder, baseada em uma liderança negativa, sendo
assim, uma medida preventiva e profilática seria fomentar a criação de
lideranças positivas em maior número na escola.