
"O homem só é homem de
fato quando brinca."
(Friedrich Sshiller)
Em
outro artigo, "A importância do
brincar", já abordei o que tal fato significa na vida e no
desenvolvimento da criança, ressaltando, inclusive, a importância da
pré-escola, neste momento.
Agora, acho interessante enfocar como pode ser útil aos pais brincarem
com seus filhos, mesmo que estes já não sejam mais bebês ou muito
pequenos.
É comum observar, em meu trabalho clínico, que à medida que as
crianças crescem, os pais se deixam absorver pela rotina do dia-a-dia,
pelo corre-corre do trabalho e preocupações domésticas, passando a
priorizar um interesse pelos estudos e pelas notas dos filhos.
Por outro lado, fruto destas mesmas causas, os pais por medo de que o
filho tenha um tempo ocioso, enchem o dia-a-dia da crinça com inúmeras
atividades dirigidas que envolvem vários esportes, aulas de música ou
dança etc.
Assim, os momentos de lazer compartilhado entre pais e filhos escasseiam
cada vez mais, em prejuízo da elaboração de um espaço de intimidade
e da construção de uma proximidade que trará frutos muito úteis para
lidar com a adolescência, no futuro.
Brincando com seu filho, você terá uma chance de conhecê-lo melhor,
de perceber seus sentimentos e pensamentos, ao saber sobre suas
fantasias que expressam desejos e temores, muitas vezes não ditos, como
ela vê o papel dos pais em sua vida, e de como ela está entendendo o
mundo que a cerca.
Ao
brincar, os pais devem se deixar levar pela criatividade dos filhos,
pela imaginação dos mesmos, evitando corrigi-los em suas brincadeiras,
caso não haja riscos físicos, para que não se iniba a sua
espontaneidade.
Considerar brincadeira como "coisa de criança" só faz criar
um muro entre as gerações, um muro do qual, na adolescência, os pais
se queixarão e até temerão.
Brincando com os filhos,
ao
sentar no chão para empilhar cubos, desenhar, contar histórias, montar
quebra-cabeças, pular amarelinha, jogar bolinha-de-gude, andar de
bicicleta ou se fantasiar de super-herói num faz-de-conta,
você também poderá resgatar comportamentos sadios como
descontração, senso de humor e flexibilidade. Pense nisso!
Talvez você esteja pensando, "é fácil falar, mas como fica
quando a gente não tem tempo ou está morto(a) de cansado(a)?"
Algumas idéias são dadas por Maria Irene Maluf:
*
Peça à criança que brinque no chão ao
seu lado, enquanto você descansa lendo uma revista ou vendo televisão
* Enquanto você cozinha, dê algum
ingrediente para ela brincar de preparar uma comidinha.
*
Se você tem trabalho para terminar, peça a seu
filho que fique ao seu lado desenhando ou colorindo um livro.
*
Assistam juntos a um vídeo.
*
Sugira
que a criança conte uma história ou leia um livro para você.
Os pais de hoje, em geral, têm uma vida muito mais agitada e isso não
é para ser esquecido, entretanto os
filhos pequenos esperam por essa atenção, porque a brincadeira é seu
meio de "conversar", descobrir coisas, mostrar o que sabem e
se sentirem valorizados pelo olhar e palavras paternas.
O importante é conversar com os filhos sobre este cansaço, que faz
certamente com que haja dias em que não conseguem estar dispostos para
brincar, tentando deixar claro que não têm a mesma energia que eles,
que estão preocupados com algo, mas que isto nada tem a ver com estarem
rejeitando ficar com eles.
Outra idéia é limitar o tempo da brincadeira: 15 minutos bem
brincados, mesmo que apenas nos fins de semana, são melhores que uma
manifestação de "não me incomode!" ou "me
deixa!"
Elisabeth
Salgado
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