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         Os anos passam e a vida de cada um ganha uma forma, um desenho, um bordado...

      Como é valioso este bordado! Entretanto, observo que muitas pessoas desqualificam sua obra, principalmente quando já passaram dos sessenta. Talvez, isso aconteça por se deixarem contaminar por uma sociedade que cultiva a eterna juventude, a competitividade, a rapidez e a imagem.

         Esquecem de usar sua sabedoria na arte de viver e conviver, esquecem de que o bordado ainda está lá e que a passagem dos anos molda o artista que existe dentro de cada um de nós.

          Envelhecer "bem" requer paciência e sabedoria.  É resultado de ter aprendido que "A Felicidade existe sim, mas nunca a encontramos porque está sempre apenas onde a pomos. E nunca a pomos onde nós estamos."(Fernando Pessoa)

          Sendo assim, não adianta desistir de ser feliz porque a juventude se foi, mas é ser feliz, vivendo o que se é e onde se está, hoje.

          Já ouvi por diversas vezes que, ao envelhecer, corpo e alma se desencontram. O corpo se lentifica, enquanto a alma pode continuar desejando e se entusiasmando com o processo da vida. É quase um paradoxo. Por que será que isso acontece?

        A imagem de tecermos um rico bordado de experiências, à medida que o tempo passa, me vem à mente de novo. Nosso espírito se enriquece, fruto do que compartilhamos, recebemos, aprendemos e deixamos. Se o corpo perde, a alma pode ganhar.

          Isto não acontece a todos. É fruto de um modo de olhar a vida, um modo mais flexível e desistente de achar o ponto perfeito. É fruto de uma escolha pessoal e dos valores que incorporamos pela vida a fora.

          É importante perder o medo de envelhecer e de concluir o bordado.

           Dom Helder Câmara disse uma vez que, quando a velhice chega, é preciso "aprender com o vinho a melhorar
envelhecendo e sobretudo a escapar do perigo terrível de, envelhecendo, virar vinagre."
É importante saber descobrir o encanto de cada idade e aceitar que há limitações trazidas pela velhice.

 

            Mas, não há porque desistir do bordado. Ele é precioso demais!