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A maioria dos adolescentes começa a beber porque fazê-lo lhes parece uma "coisa de gente grande", "por estar na moda" e estar de acordo com o grupo, para se sentirem à vontade socialmente e para reduzir a ansiedade, escapando dos problemas. A Adolescência é uma fase caracterizada por crises de identidade, iniciação sexual, questionamento de valores, normas estabelecidas, conflitos, saída para o mundo externo, busca de modelos, fatores que geralmente originam angústia e mal-estar. Se o sistema familiar, em sua estrutura psíquica e afetiva, não é capaz de fornecer-lhe o suporte de que necessita para lidar com sua angústia, é comum que o jovem faça uso de bebidas e drogas facilmente oferecidas a ele pela sociedade e pelo grupo de iguais, como um meio para "solucionar"o mal-estar, em busca de momentos de prazer e alívio, pelo efeito traquilizante, de euforia e desinibição originados pelo efeito do álcool no sangue. Entretanto, é assustador, nos dias atuais, o elevado número de jovens que abusam do consumo de álcool, causador freqüente de inúmeros acidentes automobilísticos e perdas prematuras de vidas. O crescente abuso do álcool pelos adolescentes amplia ainda mais o número de dependentes alcoólicos e, como se sabe, o alcoolismo crônico leva à disfunção de vários órgãos, assim como perturbações psicológicas que repercutem na vida do indivíduo.
A bebida alcoólica é a droga mais consumida no Brasil e é a que tem o maior exército de dependentes. O alcoolismo não é um problema novo, nem restrito às sociedades industrializadas e faixa etária. Há indicativos de que está diminuindo a idade em que as pessoas começam a beber. Muitos alcoólatras começam a beber aos 13 anos de idade (BELAND & PASSOS,1978). De acordo com pesquisa realizada pelo NIDA(Instituto Nacional de Abuso de Drogas), um em cada 20 jovens, entre 15 e 17 anos bebem bebidas alcoólicas e 37% de jovens entrevistados tinham tomado cinco ou mais doses de bebida, pelo menos duas semanas que antecederam a pesquisa. A essência do problema não é tanto a bebida ingerida, mas decobrir o que se passa com esse adolescente que não tolera ou não suporta o que vive, recorrendo a meios mais fáceis de alívio e prazer. Sem excluir a influência do social, é muito importante que se descubra para que esse jovem bebe e porque não consegue lidar com suas dificuldades de outro modo... Certamente, "'é melhor prevenir que remediar", por isso o modelo familiar é e será sempre o grande alicerce e a base de uma vida saudável para o adolescente. A melhor prevenção é formada por diálogo entre pais e filhos, por um modelo parental que mostre ao jovem valores morais e sociais bem definidos, que não seja ele também um exemplo de dependência química de qualquer espécie(como condenar e cercear a bebida em meu filho, se eu mesmo me embriago ou não sei passar sem ela, ou, se não bebo, uso drogas?), que não seja fonte contínua de situações estressantes. A melhor prevenção é possibilitar ao jovem que possa construir uma identidade sólida, onde seus pais lhe ensinem a ter objetivos de vida, tendo eles mesmos motivação, estabilidade emocional e um sentido de vida. O adolescente precisa sentir, por parte dos pais principalmente, que é bom crescer e se esforçar para alcançar o que se deseja. Pais que se sentem incompetentes, se alienam de seus filhos, têm dificuldade de colocar limites para si e para o adolescente, oscilam entre posições extremistas e disfuncionais, caracterizadas por posturas ora rígidas, ora permissivas. Estar junto, disponível, é muito importante. Prevenir e esclarecer o filho sobre os efeitos negativos do álcool é tarefa dos pais. Não deve ser evitada. Ao lidar com situações de abuso de bebida, os pais devem se mostrar seguros e firmes quanto a permitirem que o jovem assuma as conseqüências de seus atos, evitando atitudes excessivamente protecionistas, geradas muitas vezes por sentimentos de culpa. O importante é lembrar que a bebida não está ali por acaso. Ela é sintoma de algo que não pertence só ao adolescente, mas a todo sistema familiar. Elisabeth Salgado |