Ao contrário de outros anos, em lugar de relacionar o Ano Novo a novas escolhas, a uma revisão de antigos e novos projetos, à elaboração de promessas, vamos pensar sobre nossos momentos de passagem durante a vida que carregam em sua essência um movimento de mudança.

Nossa cultura cultiva vários momentos de passagem que são marcados por rituais, em sua grande maioria. Assim é, na hora em que uma criança nasce, quando o jovem atinge a adolescência, quando o adulto casa e quando morre, por exemplo.

Entretanto, pouco se observa  que tais momentos de passagem envolvem três fases: separação, transição e incorporação.

Em outras palavras, quando o ser humano muda de papel ou de status, ele terá que se separar de antigas associações e relacionamentos, passar por uma fase de transição que, em geral, desperta uma insegurança, para só depois assumir seu novo estágio e se juntar a outras pessoas que dele já fazem parte.

Parece simples, mas não é bem assim. O ser humano tem muito receio de fazer mudanças e o encontro com o novo traz dúvidas e um certo incômodo para a maioria. Por isso, realizar estas passagens não é tão fácil...Mais fácil é festejar a passagem do Ano do que festejar  os momentos de passagem do ciclo da vida.

Passagem e mudança são interdependentes. Se não mudamos, continuamos no mesmo lugar, no mesmo status, no mesmo roteiro.

Talvez, quando chegar o romper de um Novo Ano, em lugar de grandes projetos, devêssemos tentar lidar com os medos que impedem nossas passagens, talvez devêssemos aceitar que sempre haverá perdas e despedidas, antes que o Novo se instale...

Feliz Passagem!