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"O amor é um mar de muitas águas " |
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( Elisabeth Salgado/dez. de 1999) Somos enfeitiçados pelo azul pacífico de ondas acolhedoras, que como um espelho refletem a satisfação de nossos desejos e expectativas de criança. Ávidos, mergulhamos nessas águas e nos deixamos levar pela corrente. Certo dia, o vento sopra forte, as ondas crescem, o nosso nadar é contestado e passamos a não confiar nesse mar. Sentimos cansaço e decepção. Olhamos para trás e avistamos a praia, lugar de onde saímos. Sentimos saudades daquele início impregnado do azul e de esperança. Mas...é impossível voltar, nada é igual duas vezes... O movimento das águas nos leva para frente, para o futuro, para o desconhecido e não para o passado. E as águas se alternam em calmarias e tormentas, chegando o momento da escolha: reconstruir ou destruir? Aprender a nadar, em meio ao movimento inconstante das águas e das marés, aceitando-o como expressão da vida, ou inconformados perante as limitações da realidade, nos debatermos neste mar, numa busca ilusória de um ser que nos preencha ? Aqueles que desejam amar, não desistem nem se afogam. Aprendem a sentir o aconchego da vida que flutua nas águas. Respeitam sua energia e, de repente, conhecem pela primeira vez quem está a seu lado e por quem mergulharam nas águas, um dia...
E, na maré das águas amadurecidas, comprometem-se com o afeto, abrindo
seus corações para amar a si, ao outro e à própria vida.
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