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Vivemos em uma época de muitas diversidades e estilos de vida. As pessoas "ficam", preferem o viver juntos a formalizarem sua união, as alianças se ausentam dos dedos (e dos corações), a mulher se apossou de sua liberdade sexual, casais optam por morarem em casas separadas, ter filhos é uma escolha muito séria, que pode ser, inclusive, resultante de uma"produção independente", ou de laboratório, prioriza-se a busca de sucesso profissional, de poder e de dinheiro... Entretanto, no final, mesmo que não
querem é amar e serem amados.
É, como já disse Arthur da Távola, "encontrar alguém que faça bater forte o coração e justifique fazer loucuras, que nos faça entrar em transe, revirar os olhos, rir à toa, cair de quatro"... Mas, como nada dura para sempre, esperamos que a paixão se transforme em amor e, de novo, sonhamos com o mítico e impossível: a chegada de um amor incondicional, que, pelo simples fato de existir, irá permanecer apesar do que aconteça, nutrindo-se de um modo auto-suficiente e único. Nada feito. Amar só, não basta! Em um relacionamento de casal, o amor precisa se alimentar de outros sentimentos muito importantes: sinceridade, confiança, paciência, muita paciência... É primordial aprender a não competir pelo poder da relação, a não fazer jogos que destruam o respeito e a admiração. É aprender a "pegar mais leve", "às vezes fingir que não viu, que não escutou", a usar de um senso de humor que amenize as contas para pagar, as notas baixas dos filhos, a geladeira que quebrou, a irritação com o chefe, a tensão pré-menstrual. É aceitar que o parceiro é diferente de mim, que não é meu, que é apenas um companheiro de viagem e que tem vida própria. O amor para sobreviver à vida, às nossas carências e
medos, precisa de poesia e de racionalidade, de palavras bonitas e também de silêncio, precisa de inteligência e de fé. O amor precisa do compartilhar e do separar, da humildade de reconhecer que não se é tudo na vida do outro, do querer estar com, mas saber que pode ficar sem o outro e reconstruir. Hoje, considero que amar é uma escolha difícil, embora valha a pena. É um eterno aprendizado. E a última lição que tive é que"amar só, não basta"! Elisabeth
Salgado
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