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Observo
que
tornou-se
comum,
entre
os
pais
e
também
na
escola,
diagnosticar
alunos
agitados
como
portadores
de
déficit
de
atenção.
Certa
família
chegou
a
realizar
verdadeira
pesquisa
na
Internet,
um
verdadeiro
tratado,
e
me
trouxe
para
ler,
esperando
que
eu
lhes
falasse
o
que
desejavam
ouvir.
Esses
pais
preferiam
que
seu
filho
tivesse
um
transtorno
de
atenção
a
ser
portador
de
enorme
ansiedade
perante
o
clima
familiar
tenso
e
conflitante,
na
época.
Por
outro
lado,
nem
sempre
os
pais
admitem
que
o
filho
é
hiperativo,
quando
realmente
o
é.
Muitos
acham
que
a
criança
é
esperta
demais
e,
por
isso,
está
sempre
interessada
em
novidades.
Com
a
melhor
das
intenções,
não
é
raro
também
que
professores
me
encaminhem
crianças
e
jovens
com
o
parecer
de
hiperatividade.
Geralmente,
na
sala
de
aula
ele
é
o
"pestinha":
arranca
os
brinquedos
dos
colegas,
anda
de
um
lado
para
o
outro,
não
fica
mais
de
dois
minutos
sentado
no
mesmo
lugar.
Nunca
termina
as
tarefas
solicitadas
e
sai
da
sala
várias
vezes,
sem
pedir
licença.
Em
algumas
ocasiões,
chega
a
ser
agressivo.
Entretanto,
existem
diferenças
entre
a
agitação
natural
de
crianças,
entre
comportamentos
gerados
por
extrema
ansiedade
devido
à
interferência
do
emocional
e
o
transtorno
de
déficit
de
atenção.
Segundo
o
psiquiatra
Ênio
Roberto
de
Andrade,
coordenador
do
Ambulatório
de
Transtornos
de
Deficiência
de
Atenção
do
Hospital
das
Clínicas,
de
São
Paulo,
a
hiperatividade
só
fica
evidente
no
período
escolar,
quando
é
preciso
aumentar
o
nível
de
concentração
para
aprender.
"O
diagnóstico
clínico,
no
entanto,
deve
ser
feito
com
base
no
histórico
da
criança",
explica.
"Por
isso,
a
observação
de
pais
e
professores
é
fundamental."
Geralmente,
os
hiperativos
se
mexem
muito
durante
o
sono
quando
bebês.
São
mais
estabanados
assim
que
começam
a
andar.
Às
vezes,
apresentam
retardo
na
fala,
trocando
as
letras
por
um
período
mais
prolongado
que
o
normal.
Em
casa,
esses
sintomas
nem
sempre
são
suficientes
para
definir
o
quadro.
Na
escola,
porém,
eles
são
determinantes.
Ao
professor
cabe
observar
se
o
aluno
não
presta
atenção
a
detalhes
e
faz
erros
por
descuido
nas
tarefas
escolares,
trabalhos
ou
outras
atividades;
se
tem
dificuldade
de
manter
a
atenção
em
tarefas
ou
jogos;
se
parece
não
escutar
quando
lhe
falam
diretamente;
se
não
segue
as
instruções
até
o
final
e
não
termina
tarefas
escolares,
atribuições
domésticas
ou
deveres
(que
não
seja
devido
a
comportamento
opositivo
ou
incapacidade
de
entender
as
instruções);
se
tem
dificuldade
em
organizar
tarefas
e
atividades;
se
evita
ou
é
relutante
em
se
engajar
em
tarefas
que
exigem
esforço
mental
mantido;
se
perde
coisas
necessárias
para
as
tarefas
e
atividades,
tais
como
brinquedos,
obrigações
escolares,
lápis,
livros
ou
ferramentas;
se
é
facilmente
distraído
por
estímulos
externos.
A
criança
hiperativa
e
impulsiva
age
assim,
em
geral,
também
em
atividades
prazerosas.
Independente
do
grau
de
motivação
que
a
atividade
desperta,
ela
não
dá
atenção
às
regras
em
brincadeiras
e
jogos,
tem
dificuldade
para
brincar
ou
se
envolver
silenciosamente
em
atividades
de
lazer,
não
é
capaz
de
ficar
por
muito
tempo
à
frente
de
computadores,
agita
mãos
ou
pés
ou
se
remexe
na
cadeira,
abandona
sua
cadeira
em
sala
de
aula
ou
outras
situações
nas
quais
se
espera
que
permaneça
sentada,
corre
em
demasia
em
situações
impróprias.
Segundo
Ênio
Roberto
e
outros
profissionais
da
área
médica,
o
distúrbio
ainda
não
tem
uma
causa
única
comprovada.
Sabe-se
que
a
origem
é
genética
e
que
seus
portadores
produzem
menos
dopamina,
um
neurotransmissor
responsável
pelo
controle
motor
e
pelo
poder
de
concentração,
que
atua
com
maior
intensidade
nos
gânglios
frontais
do
cérebro.
Isso
explica
o
fato
de
os
hiperativos
não
se
concentrarem
e
esquecerem
facilmente
o
que
lhes
é
pedido.
Pela
alta
incidência
em
meninos
—
cerca
de
80%
dos
casos
—,
acredita-se
que
o
problema
possa
estar
relacionado
também
ao
hormônio
masculino
testosterona.
Antes
de
"fechar"
um
diagnóstico,
é
muito
importante
que
a
escola,
ao
ter
um
contato
com
os
pais,
tente
conhecer
como
a
criança
está
vivendo
neste
momento,
junto
ao
seu
núcleo
familiar,
pois
sintomas
de
desatenção
e
hiperatividade
ansiosa
podem
ser
considerados
normais
em
crianças
que
acabaram
de
passar
por
situações
traumáticas,
como
a
perda
de
uma
pessoa
querida,
separações,
mudanças
de
"status"econômico.
Nesses
casos,
em
geral
as
manifestações
são
passageiras.
O
que
os
diferencia
do
transtorno
de
déficit
de
atenção
é
a
duração
do
problema.
É
importante
também
que
a
escola
peça
aos
pais
uma
avaliação
médica
atualizada,
quanto
à
capacidade
auditiva
e
visual
da
criança.
Na
conversa
com
os
pais,
é
importante
verificar
com
quem
fica
a
criança,
como
ele
é
orientado
quanto
à
organização
de
seus
cadernos
e
atividades
escolares,
por
exemplo,
e
quanto
tempo
os
pais
dedicam
ao
cuidado
da
mesma
e
se
interessam
por
seu
progresso
escolar.
O
professor
deve
ficar
atento
ao
fato
de
a
inquietude
ser
insistente
e
persistir
por
mais
de
cinco
a
seis
meses.
Caso
o
emocional
seja
descartado,
é
aconselhável
que
a
família
procure
profissionais
especializados,
como
um
psicopedagogo
que
poderá
observar
melhor
a
criança
e
o
adolescente,
realizando
os
devidos
encaminhamentos
multidisciplinares.
O
importante
é
ter
o
cuidado
de
não
rotular
precipitadamente,
pois
os
rótulos
são
semelhantes
ao
gesso
que,
com
o
passar
do
tempo,
se
enrigesse
e
imobiliza.
Elisabeth
Salgado



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