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Este artigo surgiu de observações feitas, tanto como professora e psicopedagoga, como quanto terapeuta familiar que realizo junto a alunos, professores e mestres. Sempre escutei, e ainda escuto, que uma das causas de notas baixas e dificuldades no rendimento escolar se deve ao fato de nossos alunos não saberem como estudar. Isto é identificado pelos pais e por eles próprios muitas vezes. Fico pensando que, atualmente, o modo como nossas crianças e jovens estudam se tornou mais difícil e improdutivo, devido ao tipo de vida moderna, repleto de atividades e motivações paralelas, às crescentes mudanças dos valores sociais, que parecem não priorizar o estudo enquanto realidade lucrativa para o crescimento do indivíduo, mas como um instrumento necessário para se alcançar a universidade, ingressar no mercado de trabalho ou uma simples questão de status. A pergunta "que não cala"nas salas de aula, hoje, me parece que é "para que se estuda isso?" O aluno e muitas vezes os próprios pais, mesmo que não explícitamente, deixam transparecer que aprender e estudar certas matérias se torna algo sem praticidade e, portanto, sem vislumbre de utilidade. Para mim, tudo começa aí: o "como" estudar está diretamente vinculado ao "para quê" estudar... Em plena era do predomínio da informática e do universo de informações a que todos passamos a ter acesso, a sala-de-aula, se não for bem cuidada, se transforma em um espaço utópico para o aluno. Penso que todo professor está consciente do valor do que ensina e acredita na importância das informações que transmite. Sem este suporte interno, seu trabalho será exaustivo e sem sucesso, junto àqueles que se mostram céticos. Não se consegue passar a verdade, se ela não é abraçada por nós mesmos, antes de tudo. Depois de repensar a importância do "para quê", ou seja, da necessidade de haver motivação para estudar, vamos trocar idéias sobre como orientar nossos alunos neste campo. Acredito que existam certas orientações gerais, que podem auxiliar a diversas disciplinas e que devem ser passadas aos estudantes e seus pais, desde cedo, tais como:
a) Fase da incompetência inconsciente, quando se tem medo e se fica ansioso perante o que se deve aprender, devido à grande quantidade de matéria, por exemplo, que se tem pela frente, e é muito comum que , fruto dessa ansiedade, a vontade de estudar nem apareça. b) Fase da incompetência consciente, quando se sente confusão e frustração, perante a sensação de que não se está aprendendo ou que é matéria demais. c) Fase da competência consciente, em que se recebe o fruto da persistência e do estudo, o prêmio pelo vale a pena tentar, isto é, a fase em que a gente percebe que pode aprender. d) Fase do automático, aquela em que a pessoa prossegue com os estudos, adquire auto-confiança e chega a um grau de excelência, em que faz as coisas com tranqüilidade.
Todos sabemos que não há receita pronta para os fatos da vida, mas compartilhar vale a pena e, se usarmos de criatividade, as sugestões poderão de algum modo contribuir para a tarefa de educar. Elisabeth Salgado
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