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É comum ao ser humano e ainda
mais à criança ser apegada aos pais.
Entretanto, o que vou focalizar neste artigo é aquele apego cuja intensidade é demasiada e prejudicial, tanto ao processo de sociabilização da criança, como à existência necessária de uma autorização, por parte dos pais, para que os filhos se tornem gradativamente independentes.
Devido às suas próprias histórias pessoais, às suas próprias carências, os pais podem aspirar a uma posição de serem insubstituíveis para a criança. Ninguém cuidará tão bem; não se permitem ficar distantes, nem por poucas horas; raramente permitem que fiquem com os avós ou parentes próximos; ir à casa de coleguinhas, nem pensar...
Este tipo de vínculo monopolizador é danoso, pois tira a oportunidade da criança em experimentar outras situações e de explorar o mundo.
Filhos de mães superprotetoras, por exemplo, têm mais dificuldade para se distanciar da família, é o chamado apego inseguro. Alguns pais acreditam que o "grude" em excesso é a prova de que os filhos os amam de verdade e esquecem que, agindo dessa maneira, não estão criando vínculos e, sim, dependência.
Em geral, as crianças "grudadas" nos pais tendem a ser introvertidas, medrosas, agressivas e choram com freqüência. Apresentam dificuldade em lidar com frustrações e, diante de obstáculos, ficam mais aflitas do que o esperado para a idade.
Em idade escolar, podem demorar para se adaptar e têm medo de se separarem dos pais.
"Uma criança insegura fica emburrada ao ser rejeitada pelo colega, enquanto uma mais independente procura outro que a aceite", diz a psicóloga Lidia Weber, professora da Universidade Federal do Paraná.
A família deve incentivar a criança a ser independente, desde cedo. Sabe-se que, por volta dos 2 anos de idade, a criança já é capaz de compreender que o fato de a mãe estar longe não significa ter sido abandonada, mas essa confiança, entretanto, depende de como os vínculos foram criados na família.
A criança deve ser levada a conviver com outras crianças da mesma idade, tanto em casa como na escola. Para tal, os pais devem se mostrar flexíveis e abertos para convidar amiguinhos, levar a festinhas, permitir que façam passeios com sua turma de escola e outras atividades comuns, sem demonstrar tristeza ou que irão "morrer de saudades". Tal atitude pode gerar culpa nos filhos que não se sentem autorizados a ter prazer longe da família.
Quando recebo uma criança com dificuldade em ir à escola, de lá permanecer, ou um adolescente que quase não sai ou raramente participa de atividades próprias de sua fase, quase sempre me deparo com um sistema familiar muito fusionado ou simbiótico, onde todos os membros sofrem de uma angústia de separação que os impede de ter e de promover autonomia.
Elisabeth Salgado
