"Um
único contato íntimo faz mais do que todo um dicionário. A
capacidade que as sensações físicas têm de transmitir os
sentimentos é algo surpreendente."
(Desmond Morris, em
Intimate Behavior)
Com certeza,
a gente recebe um material variado e muito questionável pela
Internet e pelos e-mails, mas, há um tempo atrás, recebi um
vídeo intitulado "Abraços Grátis" que achei muito interessante.
O vídeo
começa com um letreiro dizendo que se trata de um caso verídico
e mostra um homem andando sozinho por ruas movimentadas,
carregando um simples cartaz onde está escrito apenas "abraços
grátis".
Ele anda, à
medida que ergue o cartaz, olhando para as pessoas que passam
por ele sorrindo, ou como se ele ali não estivesse. Ele não
desiste e continua sua caminhada. Em determinado momento, uma
senhora pequena e franzina pára à sua frente, olha para ele, que
parece convidá-la, e eles se abraçam.
Deste momento
em diante, o vídeo mostra uma série de outras pessoas,
inicialmente mulheres, que param e vão ao encontro deste homem,
abraçando-o com satisfação. Em seguida, o mesmo acontece com
outros homens e jovens estudantes. Trocar abraços, sem saber
nada do outro, vai deixando de ser algo meio doido para se
tornar um momento de parada e de encontro.
O homem,
então, passa o cartaz para outras pessoas que tomam seu lugar,
oferecendo abraços grátis a outras. A partir daí, vemos vários
tipos de abraços entre diversos tipos de pessoas. Acontecem
saltos e pulos entre duas, três ou mais pessoas... Mas, há
algo unânime: a presença da alegria e uma sensação de
liberdade que emana entre elas.
Os cartazes
se multiplicam, assim como os abraços. Apenas os policiais se
mostram discretos e não participantes. À medida que o movimento
cresce, surge a necessidade de as pessoas se organizarem para
que o que, antes fora uma iniciativa isolada e aparentemente
irreverente, se torne algo autorizado e instituído.
Ao término,
cerca de 10.000 assinaturas a favor de "abraços grátis" são
recolhidas, refletindo a vontade e a necessidade do ser humano
em fazer encontros, em trocar afeto, sem lidar com preconceitos
e sem qualquer outra motivação.
Penso em
várias pessoas que cruzaram meu caminho. Lembro de algumas que
se sentiam desconfortáveis se fossem abraçadas, que fugiam deste
tipo de contato, que se enrijeciam perante o fato. Sinto por
elas...Provavelmente se decepcionaram, em algum momento, ao
exporem seu afeto. Talvez, tenham medo de se entregar e de
sofrer. De repente, não confiam e se resguardam. Não sei. Cada
um deve ter uma razão e uma história que justifique esta trava.
A psiquiatra
Kathleen Keating é autora de dois livros intitulados "A Terapia
do Abraço", onde ela enfoca a importância do abraçar e do toque
num clima de compreensão, principalmente na época atual, onde há
uma supervalorização da razão e da tecnologia, para que se
resgate uma consciência de nossos sentimentos.
Sem dúvida,
apesar do abraço e toque físico terem um grande valor, mais
importante ainda é que respeitemos os sentimentos e as
necessidades do outro. Isso vem em primeiro lugar, mas não deve
ser o ponto final.
Fica aqui um
convite para que cada um pense sobre como consegue expressar
afeto, amizade, carinho ou apoio, através de um toque corporal.
Fica aqui um
convite para que cada um reflita e se dê conta sobre suas
sensações, quando abraça ou recebe um abraço... O quanto é bom ou
o quanto isso causa constrangimento, devido a marcas pessoais,
carências ou condicionamentos culturais...
Enquanto
isso,
Um abraço carinhoso e compreensivo para você,
Elisabeth
Salgado.