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A Fala de um pode conter a fala do grupo |
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Pode ser que você, professor, não concorde comigo, mas repensando meus trinta anos de sala-de-aula e , hoje, conhecendo mais tudo que envolve a grande responsabilidade de lidar com grupos, percebo como nos jogam às cegas, muito despreparados, para uma missão tão importante que é educar. O que ficamos sabendo, ao sair da faculdade, sobre como age um grupo, qual a sua dinâmica, que melhor caminhos devemos escolher a fim de sermos bem- sucedidos? Eu não me lembro de ter sido preparada para tal. Hoje, quero compartilhar com vocês o que descobri, pois pode ser útil de algum modo a quem faz do ensinar sua missão! Tomando como base a Gestalt-terapia e os conceitos fenomenológicos, holísticos e da Teoria de campo de Kurt Lewin, eu acredito que a fala de um aluno pode conter a fala de seu grupo. O grupo funciona como o princípio de complementaridade da Física quântica. Quando alguém, no grupo, fala ou expressa um sentimento, não se sabe, ao certo, quando ele é indivíduo e quando ele é o grupo, quando ele fala unicamente de seu mundo interior e quando sua fala é expressão da matriz grupal. Nossa turma de alunos é, antes de tudo, um grupo, e, sendo assim, as colocações individuais devem ser vistas como possíveis ressonâncias do inconsciente ou da matriz grupal. Em outras palavras, as metáforas comportamentais não devem ser vistas apenas como uma produção individual, pois elas nasceram dentro de um contexto grupal e, de certo modo, pertencem ao grupo, tendo influência sobre o mesmo. Por outro lado, é importante lembrar que em um grupo, ninguém cresce sozinho. De acordo com Joseph ZinKer e Jorge Ponciano, todo tema individual é ao mesmo tempo, um tema de interação grupal e tudo que ocorre com alguém pertence ao grupo. E, agora? Você poderá estar se perguntando... Como estes conceitos podem me ser úteis em sala-de-aula? Quando um aluno está desinteressado, por exemplo, meio que anestesiado, conversando demais ou adotando uma atitude qualquer que, aos nossos olhos, esteja prejudicando o ritmo da aula, talvez fosse importante não vê-lo apenas como um caso isolado, onde uma repreensão direta seria suficiente ou até um ignorar de nossa parte apenas funcionaria. Como fruto da coragem de nos olhar e realizar uma autocrítica, deveríamos pesquisar ou sondar, mais profundamente, se o que este aluno expressou não está circulando também entre os demais. A partir disto, poderíamos repensar em como canalizar melhor a atenção e dinamicidade do grupo, por exemplo, ou como fazer com que atentem mais ao que lhe temos para falar em lugar de se distraírem com o colega, durante a aula. O importante é dar importância a tudo que acontece, na convivência com nosso grupo de alunos. O importante é, ao entrar em sala-de-aula, estarmos abertos para fazer contato, sem fugas ou defesas, com o grupo que nos aguarda. Ele, enquanto grupo, ou alguém que dele faça parte, certamente, terá uma mensagem a passar. Elisabeth Salgado
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